Israel vai às urnas hoje escolher seu novo primeiro-ministro com uma disputa apertada e cerca de 10% do eleitorado ainda indeciso. A eleição é vista como decisiva para o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Eleições em Israel
Os cerca de 7,3 milhões de eleitores israelenses votam em listas apresentadas pelos partidos políticos, e não diretamente em candidatos a primeiro-ministro, quando vão às urnas. O presidente do país, então, divide as cadeiras do parlamento de acordo com a proporção de votos que cada partido ganhou.
O Knesset tem 120 cadeiras e é eleito por sistema proporcional, ou seja, para formar um governo, a coalizão precisa reunir ao menos 61 assentos. Um acordo para formar maioria costuma exigir ligações entre partidos, algo atípico em um cenário político fragmentado.
Mesmo se conseguir a maioria dos votos, o Likud, partido de Netanyahu, só vai poder governar se formar coalizões com outros partidos - o que pode não acontecer. Quando ganhou as eleições mais recentes, em 2022, a coalizão liderada por Netanyahu conquistou 64 cadeiras.
Enquanto no último pleito 29 chapas concorreram, neste ano, 38 se inscreveram. Duas delas desistiram antes das eleições. Para entrar no Knesset, as listas de candidatos apresentadas pelos partidos precisam de ao menos 3,25% dos votos.
Esta é a primeira eleição realizada desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Ela ocorre após três anos de guerra regional, com a segurança no centro da campanha e um desgaste na imagem internacional do país, acusado de genocídio contra a população na Faixa de Gaza.
Disputa é tratada como um teste para Netanyahu, que tenta manter no poder a coalizão mais à direita da história do país. A campanha também tem sido marcada por temas como colonização da Cisjordânia e o futuro da relação com os Estados Unidos.
Netanyahu é o político com mais tempo no cargo de primeiro-ministro de Israel. Ele assumiu pela primeira vez, aos 46 anos, em 1996. Desde então, já foram 19 anos no poder divididos em seis mandatos, nem sempre consecutivos.
País dividido
Pesquisas apontam um empate técnico entre o bloco liderado por Netanyahu e a aliança de oposição comandada por Gadi Eisenkot. Os levantamentos indicam que nenhum dos dois lados parece capaz de alcançar sozinho a maioria parlamentar necessária para formar governo.
Essa divisão sugere que as negociações para formar um novo governo podem durar semanas ou meses. É possível que, para governar, o lado vencedor precise se juntar aos blocos partidários árabes, já que 20% da população israelense é árabe e os grupos, principalmente jovens, têm feito campanha para votação nas eleições eleitorais.
Cerca de 10% dos eleitores ainda não decidiram o voto, um patamar relevante em uma eleição definida por poucos assentos. A incerteza também cresce com a possibilidade de pequenos partidos não superarem a cláusula de barreira, o que pode alterar a distribuição de cadeiras.
Apoio anunciado por Donald Trump a Netanyahu não alterou o cenário nas pesquisas. O eleitorado segue polarizado e, mesmo com a declaração do presidente dos Estados Unidos, nenhum dos blocos chega aos 61 mandatos necessários para liderar uma coalizão no Knesset.
Opositor de Netanyahu perdeu filho na guerra
O principal nome de oposição ao atual premiê nas urnas é Gadi Eisenkot, 66, do partido Yashar. O opositor entrou na vida política em 2022 e criou o seu partido no ano passado. Segundo pesquisas mais recentes, o partido recém-criado pode eleger de 20 a 23 deputados no Knesset.
Ele é ex-chefe do Estado-Maior do país e fez parte do gabinete de guerra de emergência de Netanyahu, mas deixou o grupo em junho de 2024. Ao sair, citou a falta de uma estratégia clara para o pós-guerra.
O ex-militar é filho de imigrantes marroquinos e construiu carreira de quatro décadas nas Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês). Ele cresceu em Tiberíades e Eilat, fora dos principais centros de poder do país, em contraste com a trajetória de Netanyahu, criado em círculos influentes de Jerusalém.
Eisenkot perdeu o filho mais novo, de 25 anos, e dois sobrinhos na guerra. Em artigo publicado em abril de 2026 no jornal "Yedioth Ahronoth", Eisenkot disse que a morte do filho virou um compromisso político. "Sobre o túmulo de Gal, eu jurei que o preço que ele pagou não seria em vão", escreveu.
Entre as suas promessas estão a criação de uma comissão estatal de inquérito sobre as falhas do 7 de outubro. Netanyahu tem resistido a essa sugestão desde o início da guerra.
Guerra e temas de segurança dominam a campanha
Campanha ocorre sob pressão interna e externa após sucessivas frentes de conflito desde outubro de 2023. O país enfrentou a guerra em Gaza, operações militares no Líbano e confrontos com o Irã, o que manteve a pauta de defesa no centro do debate eleitoral.
Possibilidade de novo confronto com o Irã virou tema da reta final, com impacto direto no processo eleitoral. Israel já adiou uma eleição uma única vez, em 1973, por causa da Guerra do Yom Kippur, e autoridades militares têm citado o risco de adiamento em caso de escalada.
Violência de colonos na Cisjordânia entrou na campanha após ataques que geraram repercussão internacional. A União Europeia condenou os episódios, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse estar perturbado com imagens de agressões, enquanto o gabinete de Netanyahu reagiu falando em "difamação".
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.