O Bradesco espera que sua margem financeira líquida fique próxima do limite inferior da projeção para 2026, diante do aumento das perdas com empréstimos. Durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre, nesta sexta-feira (23), a direção do banco também sinalizou que a inadimplência de pequenas e médias empresas pode continuar subindo nos últimos meses do ano.
Apesar da pressão, o presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, reiterou a expectativa de crescimento das receitas financeiras no quarto trimestre. O desafio é que parte desse avanço deve ser consumida pelas despesas com clientes que atrasam ou deixam de pagar seus empréstimos.
O que aconteceu
Banco espera margem financeira líquida perto do piso da projeção. André Carvalho, diretor de Relações com Investidores, afirmou que o indicador deve terminar o ano na parte inferior da faixa prevista, embora ainda dentro das estimativas. A margem financeira líquida representa o resultado das operações de crédito e outras atividades financeiras depois de descontadas as perdas esperadas com empréstimos.
Receitas financeiras devem crescer no quarto trimestre. O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, manteve a expectativa de aumento da margem financeira bruta, que considera as receitas das operações financeiras antes das provisões para possíveis calotes. O avanço, porém, não deve se transformar integralmente em lucro diante da pressão do custo do crédito.
Inadimplência de pequenas e médias empresas ainda pode subir. Segundo a direção, os atrasos nesse segmento provavelmente continuarão aumentando no quarto trimestre, principalmente por causa da expansão recente dos empréstimos com garantias dos fundos FGI e FGO.
Fundos garantidores responderam por metade da piora da inadimplência. Essas operações explicaram metade do aumento de 0,30 ponto percentual na parcela de empréstimos com atrasos superiores a 90 dias, que chegou a 4,6% no terceiro trimestre. Segundo Noronha, as linhas já estão entre as cinco maiores carteiras do Bradesco. Embora contem com garantias, os contratos precisam registrar atraso antes que o banco possa acionar a proteção.
Juros elevados e endividamento pressionam os clientes. Noronha associou a deterioração do crédito ao comprometimento da renda das famílias e aos juros reais elevados. O presidente do banco destacou dificuldades em modalidades como crédito rural, pessoal e cartões, além das operações com fundos garantidores.
Queda da Selic pode ajudar, mas efeito não será imediato. Segundo Noronha, juros menores tendem a melhorar a capacidade de pagamento dos clientes e favorecer a recuperação de empréstimos. Já André Carvalho, diretor de Relações com Investidores, ponderou que os benefícios dependem da evolução da economia e levam tempo para aparecer nos indicadores. O banco não estabeleceu uma data para a reversão da inadimplência.
Eficiência melhorou com mudanças estruturais. Cassiano Ricardo Scarpelli, diretor financeiro do banco, afirmou que os ganhos do trimestre refletem iniciativas adotadas desde 2024, como reorganização da rede de atendimento, revisão de contratos e investimentos em tecnologia e inteligência artificial. Segundo ele, ainda há espaço para economias adicionais, embora os benefícios da redução da rede física estejam diminuindo.
Consignado e financiamento de veículos são apostas para 2027. Noronha destacou essas modalidades como oportunidades para ampliar os resultados. No caso dos veículos, afirmou que os atrasos continuam alinhados à política de concessão de crédito do banco.
Bradesco também pretende crescer entre grandes empresas. Segundo Noronha, operações com clientes corporativos podem apresentar margens percentuais menores, mas gerar receitas maiores pelo volume negociado. Carvalho acrescentou que esses negócios também favorecem áreas como serviços e tesouraria, enquanto o retorno ajustado ao risco do segmento vem melhorando.
Banco defende manutenção dos fundos garantidores. Questionado sobre uma possível redução dos recursos disponíveis para FGI e FGO, Noronha afirmou que considera importante preservar os programas. Caso haja restrições, o Bradesco buscará outras fontes de receita e continuará avaliando a concessão de crédito conforme o risco dos clientes.
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