O dólar comercial fechou nesta quinta-feira (22) em alta de 0,22%, cotado a R$ 5,038, em meio à cautela antes do segundo turno das eleições presidenciais e à piora dos acontecimentos no cenário internacional. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 1,15%, aos 204.120 pontos.
O que aconteceu
Tensão em Ormuz aumentou a preocupação com o petróleo. O governo iraniano afirmou hoje que sete navios petroleiros pegaram fogo após ataques ou contato com minas navais no Estreito de Ormuz. Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o noticiário aumentou a procura por investimentos considerados mais seguros.
Pesquisa eleitoral mostrou disputa mais apertada. A pesquisa PoderData divulgada nesta quinta-feira apontou o candidato Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos e Lula (PT) com 49%, ante 52% a 48% no levantamento de segunda-feira (19). Segundo Kayo, a proximidade do segundo turno e a expectativa pelo resultado da pesquisa Datafolha, prevista para hoje, a partir das 19h, contribuíram para a cautela no mercado brasileiro.
Falta de propostas fiscais detalhadas também pesou. Kayo e Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, avaliam que a ausência de sinalizações concretas dos candidatos sobre o controle das contas públicas manteve os investidores cautelosos.
Além da parte eleitoral que temos no mercado doméstico, ainda temos a escalada do conflito geopolítico e início da temporada de balanços tanto no Brasil quanto lá fora. Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital
Siderúrgicas e mineradoras lideraram as perdas. As ações da CSN (CSNA3) recuaram 5,43%, enquanto Usiminas (USIM5) perdeu 4,81%, Vale (VALE3) caiu 3,97% e Gerdau (GGBR4), 3,92%.
Embraer e bancos também registraram quedas. As ações da fabricante de aeronaves (EMBJ3) recuou 4,66%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 1,84% e Bradesco (BBDC4) retrocedeu 2,08%.
BB Seguridade, PRIO e Vivo ficaram entre as altas. As ações da BB Seguridade (BBSE3) avançaram 2,05%, enquanto PRIO (PRIO3) subiu 1,85% e Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, ganhou 1,65%. Marcopolo (POMO4) e Ambev (ABEV3) também registraram valorizações de 1,50% e 1,26%, respectivamente.
Juros futuros tiveram comportamento misto. O contrato para janeiro de 2027 indicava taxa de 13,482% ao ano, em leve queda. O vencimento de janeiro de 2029 estava praticamente estável, em 12,565%, enquanto o de 2031 recuava para 12,603%. Os analistas destacaram as incertezas fiscais e eleitorais como fatores de atenção.
Bolsas americanas fecharam majoritariamente em queda. O Nasdaq perdeu 2,60% e o S&P 500 recuou 1,21%, enquanto o Dow Jones teve leve alta de 0,02%.
Balanço da Meta pressionou ações de tecnologia. Os papéis da companhia chegaram a cair mais de 5% durante o pregão, em meio às preocupações com os gastos em inteligência artificial, apesar da receita acima das expectativas. Bento também destacou as dúvidas sobre o financiamento desses investimentos.
Busca por segurança favoreceu títulos americanos. Segundo Kayo, a migração de investidores para esses papéis contribuiu para a queda de seus rendimentos. A próxima decisão de juros do Federal Reserve será anunciada no dia 28, ao fim da reunião iniciada na véspera.
Mercado deve continuar volátil até o segundo turno. Bento avalia que novas pesquisas eleitorais, as tensões internacionais e os balanços das empresas poderão provocar oscilações na sexta-feira, última sessão antes da votação.
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