O dólar comercial opera em alta nesta quinta-feira (29), enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recua após três sessões consecutivas de perdas. Por volta das 10h30, a moeda americana subia 0,38%, cotada a R$ 5,361 para venda, enquanto o índice caía 0,32%, aos 170.453 pontos.
Os investidores acompanhavam as sinalizações sobre a política fiscal brasileira, os novos dados de crescimento e inflação dos Estados Unidos e os balanços das empresas. Na véspera, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, manteve os juros entre 3,75% e 4% ao ano.
O que está acontecendo
Dólar voltou a subir após duas quedas consecutivas. A moeda americana era negociada a R$ 5,361 às 10h27, com valorização de 0,38%. Na abertura, às 9h01, havia atingido R$ 5,362, com alta de 0,40%.
Moeda ainda reflete a forte reação às eleições. Na quarta-feira (28), o dólar recuou 0,19%, a R$ 5,340, depois de cair 0,97% na terça-feira. As duas sessões de baixa sucederam a disparada de 8,21% registrada na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ibovespa também recuava após três pregões de perdas. O índice marcava 170.453 pontos, em baixa de 0,32%. Na quarta-feira, havia fechado em queda de 2,68%, aos 171.006,10 pontos.
Mercado aguarda definições sobre a equipe econômica e as contas públicas. Em relatório divulgado nesta manhã, a Monte Bravo avaliou que a estabilização dos ativos brasileiros depende de maior clareza sobre a condução da política econômica e da apresentação de medidas consistentes para controlar os gastos públicos. A preocupação com os riscos fiscais do novo mandato de Lula continua no centro das avaliações dos investidores.
Detalhamento das propostas fiscais será decisivo, segundo a corretora. A Monte Bravo considera potencialmente positivas as sinalizações sobre a ampliação dos mecanismos de bloqueio de despesas e a redução de benefícios tributários, mas ressalta que as medidas ainda dependem de detalhamento e apoio político.
A credibilidade do ajuste dependerá menos do anúncio de metas e mais da capacidade de implementar medidas que reduzam o crescimento estrutural das despesas. Monte Bravo, em relatório
Endividamento das famílias chegou a 50,1% em agosto. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o indicador avançou 0,2 ponto percentual no mês e 1,2 ponto em 12 meses. O comprometimento da renda com o pagamento de dívidas atingiu 29%, maior nível da série histórica. Sem considerar o crédito imobiliário, o endividamento ficou em 31%, e o comprometimento da renda, em 26,7%.
Piora das finanças das famílias preocupa analistas. José Faria Júnior, da Wagner Investimentos, avalia que os dados de crédito aumentam os riscos para a atividade econômica, diante do peso das dívidas sobre o orçamento dos consumidores.
Apesar dos programas Desenrola, a situação das famílias piora e isso eleva as preocupações com relação ao nível de atividade do país. José Faria Júnior, da Wagner Investimentos
IGP-M subiu 1,47% em outubro. O indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), utilizado como referência para reajustes de aluguéis, desacelerou em relação à alta de 1,57% de setembro. O índice acumula avanço de 4,97% no ano e de 5,24% em 12 meses.
Juros no radar
Fed manteve os juros americanos entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão anunciada na quarta-feira (28) recebeu dez votos favoráveis e dois contrários. Lisa Cook e Beth Hammack defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual. Em setembro, o banco central americano havia aumentado os juros nessa mesma magnitude.
Economia americana cresceu 3,4% no terceiro trimestre, em taxa anualizada. A primeira estimativa divulgada nesta quinta-feira mostrou aceleração em relação aos 2,2% registrados no trimestre anterior. O cálculo anualizado indica quanto a economia cresceria em um ano se mantivesse o ritmo observado no período. Investimentos, consumo das famílias e gastos públicos contribuíram para o resultado.
Investimentos em inteligência artificial ajudaram a impulsionar a atividade. Vitor Kayo, economista-sênior da Nomad, destacou que o PIB superou a expectativa de expansão de 3,2%. Segundo ele, o avanço refletiu principalmente os investimentos, com destaque para estoques e equipamentos, incluindo computadores utilizados na expansão da infraestrutura de IA.
Inflação americana também acelerou. O índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE), acompanhado de perto pelo Fed, subiu 0,5% em setembro, após alta de 0,3% em agosto. Em 12 meses, avançou de 3,4% para 3,6%. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,3% no mês e 3,1% em um ano.
Dados reforçam expectativa de nova alta dos juros, segundo a Nomad. Kayo destacou que o consumo ficou praticamente estável em termos reais, descontada a inflação, enquanto a renda disponível real caiu 0,3%. Ainda assim, a inflação permaneceu distante da meta de 2% do Fed.
Com o PCE acelerando em 12 meses e longe da meta de 2%, o quadro sustenta a aposta do mercado em alta de 0,25 p.p. na reunião de dez/26. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad
Juros futuros brasileiros permaneceram próximos dos patamares da véspera. Às 10h10, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 13,619% ao ano. O vencimento de janeiro de 2029 marcava 14,805%, enquanto o de janeiro de 2031 estava em 15,075%. Esses contratos refletem as expectativas dos investidores para os juros brasileiros nos próximos anos.
Banco Central Europeu também manteve suas taxas de juros. A taxa de depósito permaneceu em 2,50% ao ano, a de refinanciamento, em 2,65%, e a de empréstimos marginais, em 2,90%. O BCE destacou que o encarecimento da energia elevou os riscos para a inflação e para a atividade econômica, e afirmou que continuará tomando decisões conforme a evolução dos indicadores.
Ações em destaque
Siderúrgicas apareceram entre as maiores altas na abertura. As ações preferenciais da Metalúrgica Gerdau (GOAU4) subiam 3,76%, a R$ 11,05, enquanto as da Gerdau (GGBR4) avançavam 3,07%, a R$ 24,83. As preferenciais classe A da Usiminas (USIM5) ganhavam 1,76%, a R$ 5,79.
Ambev, Direcional e Bradesco ficaram entre as maiores baixas. As ações ordinárias da fabricante de bebidas (ABEV3) recuavam 2,37%, a R$ 14,86, após a divulgação do balanço. As ordinárias da Direcional (DIRR3) perdiam 1,94%, a R$ 8,60, e as preferenciais do Bradesco (BBDC4) caíam 1,43%, a R$ 14,47.
Ambev registrou queda de 10,2% no lucro contábil do terceiro trimestre. O resultado foi de R$ 4,37 bilhões. Já o lucro líquido ajustado cresceu 14,3%, para R$ 4,39 bilhões. A companhia destacou o avanço das cervejas premium e da linha sem álcool.
Vale divulga balanço após o fechamento da Bolsa. Os resultados da mineradora integram a agenda corporativa desta quinta-feira, em meio à temporada de divulgação dos números do terceiro trimestre.
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