A perda de força da prévia da inflação reaproximou o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) do teto da meta. A desaceleração é vista como determinante para o novo corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, na semana que vem.
O que aconteceu
Prévia da inflação de julho foi a menor dos últimos três anos para o mês. A desaceleração levou o índice para 0,06%, a menor taxa para julho desde a deflação de 0,07% registrada em 2023. Na comparação com todos os meses do ano, o IPCA-15 é o mais baixo desde agosto do ano passado (-0,14%).
Variação foi relativamente menor do que as projeções do mercado financeiro. Os analistas estimavam que o IPCA-15 de julho seria de 0,19%, patamar 0,13 ponto percentual acima do dado oficializado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A prévia da inflação também é 0,35 ponto percentual inferior à taxa do mês passado (0,41%).
IPCA-15 acumulado nos últimos 12 meses volta a se aproximar do teto da meta. A prévia da inflação entre agosto de 2025 e julho deste ano foi de 4,52%, patamar apenas 0,02 ponto percentual acima da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para a inflação de 3% (de 1,5% a 4,5%) definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
Resultados contribuem para a perspectiva de nova queda dos juros em agosto. Os analistas do mercado financeiro avaliam que a prévia abre espaço para uma nova queda da Selic.
O ponto que mais chama atenção é a difusão: o indicador caiu de 60% para 48%. Ou seja, menos itens em alta, uma inflação que se espalha menos pela cesta. Temos, portanto, mais uma surpresa favorável às vésperas da reunião do Copom na semana que vem. Isso reforça o caso para mais um corte de 0,25 ponto. Paulo Gala, professor de Economia da FGV-SP
O IPCA-15 traz notícias positivas em meio a um ambiente complexo para o Banco Central, uma vez que as expectativas de inflação seguem subindo e o mercado de trabalho continua apertado.Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg
BC (Banco Central) vai definir o novo patamar dos juros na semana que vem. Com o IPCA-15 como último medidor inflacionário, os diretores do Copom (Comitê de Política Monetária) se reúnem na próxima semana para definir o novo patamar da taxa Selic. Na ata do último encontro, quando os juros básicos foram reduzidos pela terceira vez seguida, para 14,25% ao ano, a autoridade monetária deixou o novo corte em aberto.
Resultado do IPCA-15 já se reflete nas taxas de juros praticadas nesta terça-feira. Rebecca Nossig, strategist da Nomad, diz que a prévia da inflação deu uma "forte injeção de otimismo" na abertura dos negócios. "O mercado de juros reagiu de forma imediata à desaceleração dos preços domésticos. Os DIs abriram a sessão em movimento firme de queda por toda a curva", destaca ela.
Essa devolução de prêmios de risco demonstra que os operadores passam a precificar uma pressão menor sobre o Banco Central para a manutenção de uma política monetária extremamente restritiva, enxugando as exigências de rentabilidade para ancorar o dinheiro no país.Rebecca Nossig, estrategista da Nomad
Guerra no Irã segue como ponto de preocupação para o futuro da inflação e dos juros. O temor envolve o fato de que os desdobramentos da ofensiva são vistos como determinantes para a variação dos preços do petróleo.
As incertezas em torno do conflito entre EUA e Irã já estão impactando os preços das commodities energéticas no mercado internacional. Claudia Moreno, economista do C6 Bank
Mercado prevê que decisão da próxima semana vai interromper ciclo de cortes da Selic. A mediana das perspectivas apresentadas pela última edição do Relatório Focus indica que o novo corte de 0,25 ponto percentual dos juros na próxima quarta-feira (5) será o último deste ano. Se confirmadas, as perspectivas apontam para uma nova queda apenas no dia 27 de janeiro de 2027.
Nossa expectativa é de uma última redução de 0,25 ponto percentual na reunião da semana que vem, levando a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, com manutenção desse patamar até o fim de 2026.Claudia Moreno, economista do C6 Bank
Taxa Selic é a principal ferramenta de política monetária para controlar a inflação. Os olhares para o IPCA-15 consideram que o encarecimento do crédito é o principal objetivo de manter os juros em um nível elevado. Com o dinheiro mais caro, a demanda por bens e serviços tende a diminuir e, consequentemente, conter a variação dos principais índices inflacionários do Brasil.
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