O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou esta terça-feira (20) em alta de 1,57%, aos 208.296 pontos, impulsionado por varejistas e outras empresas beneficiadas pela perspectiva de juros menores. O dólar comercial, por sua vez, recuou 0,58%, cotado a R$ 5,019, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no exterior e o alívio nas taxas de juros dos Estados Unidos.
O movimento também refletiu as expectativas para o segundo turno das eleições presidenciais, enquanto a entrada de recursos estrangeiros ajudou a sustentar os ativos brasileiros, segundo analistas ouvidos pelo UOL.
O que aconteceu
Juros menores favoreceram empresas ligadas ao consumo. Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o recuo das taxas de juros estimulou a procura por ações de bancos, varejistas e outras companhias mais dependentes de crédito. Com financiamentos potencialmente mais baratos, essas empresas podem reduzir despesas e se beneficiar de uma recuperação do consumo.
Cenário eleitoral também influenciou a Bolsa. Marcos Bassani, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, atribuiu parte da valorização à expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, investidores associaram esse cenário à possibilidade de maior controle das contas públicas e de queda dos juros no médio prazo.
Casas Bahia e Magazine Luiza dispararam. As ações da Casas Bahia (BHIA3) subiram 20,17%, a R$ 1,43, enquanto Magazine Luiza (MGLU3) avançou 14,79%. A expectativa de crédito mais barato favoreceu as varejistas, que dependem do financiamento tanto para suas operações quanto para estimular as compras dos consumidores. A Casas Bahia também se beneficiou da ratificação da sua recuperação judicial.
Outras empresas sensíveis aos juros também tiveram fortes ganhos. Vamos (VAMO3) avançou 8,32%, Natura (NATU3) ganhou 7,75% e Hapvida (HAPV3) subiu 7,55%. Marcopolo (POMO4) também se destacou, com valorização de 6%. No caso da Vamos, Bassani citou ainda expectativas de crescimento dos resultados nos próximos anos.
Embraer, Vale e Suzano ficaram entre as maiores quedas. As ações da Embraer (EMBJ3) recuaram 1,71%, enquanto Vale (VALE3) perdeu 1,39% e Suzano (SUZB3) caiu 1,03%. Segundo Bassani, a desvalorização do dólar prejudicou empresas com receitas ligadas à moeda americana, enquanto a realização de lucros também pesou sobre os papéis. Kayo apontou a queda do minério de ferro como fator adicional de pressão sobre a Vale.
Petrobras encerrou o dia em leve alta. As ações preferenciais da estatal (PETR4) avançaram 0,36%, enquanto as ordinárias (PETR3) subiram 0,48%, em um pregão de oscilação nos preços internacionais do petróleo.
Dados americanos ajudaram a derrubar o dólar. Segundo Kayo, indicadores mais fracos do mercado imobiliário dos Estados Unidos reduziram as apostas em uma nova alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano. O recuo dos rendimentos dos títulos americanos favoreceu moedas de países emergentes, como o real.
Entrada de capital estrangeiro também sustentou a moeda brasileira. Kayo destacou o fluxo de recursos de investidores internacionais para a Bolsa como outro fator favorável ao real. A proximidade do segundo turno, porém, manteve a cautela e as oscilações nos negócios.
Petróleo oscilou com notícias sobre o Oriente Médio. A commodity chegou a subir pela manhã, mas perdeu força após a circulação de informações ainda não confirmadas sobre possíveis avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã, segundo Kayo.
Juros futuros recuaram nos prazos mais longos. O contrato para janeiro de 2029 terminou com taxa de 12,55% ao ano, enquanto o vencimento de janeiro de 2031 ficou em 12,62%. Já o contrato para janeiro de 2027 permaneceu próximo da estabilidade, em 13,48%.
Bolsas americanas fecharam sem direção única. O Dow Jones avançou 1,02% e o S&P 500 ganhou 0,29%, enquanto o Nasdaq encerrou com leve queda de 0,02%.
Pesquisas eleitorais devem continuar influenciando os mercados. Bassani avaliou que novas sondagens e as sinalizações dos candidatos sobre a política econômica poderão orientar o comportamento do dólar, da Bolsa e dos juros até o segundo turno.
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