João Paulo Charleaux comparou a defesa de Lula pela redução da maioridade penal para 16 anos ao recuo de Flávio Bolsonaro na discussão sobre a escala 6x1, ao analisar a entrevista do presidente na sabatina do Jornal Nacional, da Rede Globo.
O que aconteceu
Charleaux disse que Lula fez uma concessão eleitoral ao tratar da maioridade penal. "Ele entregou ali um anel para não perder os dedos, que foi a questão da redução da maioridade penal, isso é muito claro. Uma pauta tipicamente do setor da direita, e agora da extrema-direita, na qual ele teve de ceder."
Na avaliação do comentarista, o movimento se assemelha ao que Flávio fez ao ajustar sua posição na escala 6x1. "Coincido com a avaliação [do Toledo] de que essa atitude do Lula em relação à maioridade penal é equivalente à atitude do Flávio Bolsonaro em relação à escala 6x1. São concessões que os candidatos são forçados a fazer na tentativa de ampliar sua base eleitoral."
Charleaux afirmou que a resposta de Lula tem efeito sobre grupos ligados a direitos humanos e ao debate penitenciário. "Isso deixa de cabelo em pé os movimentos da sociedade civil que lidam com direitos humanos, com questão penitenciária, uma resposta completamente populista, que corresponde a uma preocupação imediata de ganhar votos e é muito inconsequente do ponto de vista do debate da segurança pública de maneira mais profunda."
Como Lula explicou a posição na entrevista
Na sabatina, Lula disse ser favorável à redução para 16 anos, mas defendeu que o tema não entre na PEC da Segurança. "Eu sou favorável a reduzir para 16, mas não discutindo nessa PEC, porque essa PEC não é pra discutir isso. Primeiro você discuta a PEC, aprova a PEC, e aí você pode discutir a maioridade penal ou não."
O presidente também citou a tentativa de incluir a redução para 14 anos no debate da PEC. "A direita do PL tentou apresentar uma proposta reduzindo para 14 anos."
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