O canal de WhatsApp "Exército do Lula", ligado ao deputado André Janones (Rede-MG), foi fechado na noite de terça-feira (13) para cumprir uma decisão do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, e deve voltar ao ar após 48 horas.
O que aconteceu
Campanha do presidente Lula (PT) registrou o canal no TSE nesta terça, após determinação de Kassio. O grupo tem mais de 4 milhões de seguidores e só poderia seguir funcionando se informasse seus endereços eletrônicos à Justiça Eleitoral.
Liberação do canal foi condicionada a um prazo de 48 horas previsto em resolução do tribunal. O canal chegou a ficar acessível até o começo da noite, mas foi bloqueado horas depois, com a mensagem "canal fechado neste país: Brasil" para quem tentava acessar.
Kassio havia mandado suspender o canal mesmo sem apresentar indícios ou documentos de que as fake news citadas na ação circulavam no grupo. O ministro considerou um relatório técnico do TSE que apontou que mensagens publicadas entre 25 e 29 de setembro foram apagadas ou editadas a partir de 7 de outubro, criando uma lacuna para analisar riscos.
Campanha de Flávio Bolsonaro (PL) enviou um dossiê ao TSE com a contagem de 499 mensagens apagadas no canal. Entre elas, segundo o material, havia três conteúdos que já tinham sido classificados anteriormente pelo tribunal como fake news e alvo de ordem de remoção.
Para Kassio, há indícios de que Janones atua em coordenação com a campanha presidencial, o que tornaria o registro obrigatório. O ministro afirmou ainda que a estrutura do canal remete a uma "tropa digital" e que, com a proximidade do segundo turno, seria necessária uma atuação preventiva.
Guerra de decisões no TSE
Equipe jurídica de Janones recorreu ao corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, para contestar a condução do caso. O pedido busca evitar que o canal seja reconhecido como oficial da campanha de Lula e sustenta que Kassio não teria competência para analisar o tema.
Janones disse que Flávio Bolsonaro estaria tentando ganhar terreno nas redes sociais com a ação. O deputado afirmou, em entrevista coletiva, que não atacará o Poder Judiciário, mas levantou a possibilidade de litigância de má-fé por parte do candidato do PL.
Cueva pediu que o caso seja levado ao plenário do TSE com urgência, diante de decisões divergentes. "A necessidade dessa deliberação torna-se ainda mais evidente diante dos pronunciamentos supervenientes, que não contêm determinação expressa de submissão ao colegiado, embora produzam efeitos diretamente relacionados à decisão jurisdicional já encaminhada a referendo", escreveu o ministro.
Judicialização e reunião com campanhas
Ao abrir a sessão do TSE na noite de terça, Kassio citou o aumento de ações judiciais na eleição de 2026. Segundo ele, o número de processos no tribunal neste ano já supera em 267% o volume registrado no mesmo período das eleições passadas.
Presidente do TSE disse ter se reunido nesta terça com as coordenações jurídicas das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. Sem detalhar o conteúdo da conversa, ele afirmou que houve concordância em "muitos pontos" sobre o aperfeiçoamento do processo eleitoral.
Encontro contou com a participação de outros ministros do tribunal. Além de Kassio, estiveram na reunião a ministra Estela Aranha e os ministros André Mendonça e Marco Aurélio Bellizze.
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