O dólar comercial fechou esta terça-feira (13) em alta de 0,71%, cotado a R$ 5,020 na venda, na retomada das negociações após o feriado no Brasil. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão em queda de 1,05%, aos 206.872,78 pontos. O volume financeiro foi de R$ 31,22 bilhões.
Como foi o dia na B3
A Bolsa recuou com investidores embolsando parte dos ganhos recentes. Segundo Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, o pregão foi marcado pela realização de lucros após os recordes do índice. Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, também atribui a queda à realização, combinada à cautela com as eleições e as tensões externas.
O dólar voltou a fechar acima de R$ 5. Girardi explica que a moeda americana se valorizou internacionalmente na segunda-feira, quando o mercado brasileiro estava fechado. Esse movimento ajuda a explicar a alta frente ao real nesta terça, mesmo com o dólar perdendo força diante de outras moedas durante a sessão.
A disputa eleitoral continua influenciando o câmbio. Para o analista da Nomad, períodos eleitorais costumam trazer maior volatilidade, com fatores domésticos ganhando peso na formação dos preços. Bassani avalia que o otimismo de parte do mercado com uma possível vitória de Flávio Bolsonaro não elimina as incertezas até o segundo turno.
Os juros futuros também avançaram ao longo da sessão. Na última consulta, as taxas dos contratos com vencimento em janeiro de 2027, 2029 e 2031 estavam em aproximadamente 13,46%, 12,43% e 12,47% ao ano, respectivamente. Bassani associa o movimento à postura mais cautelosa dos investidores depois da forte valorização dos ativos brasileiros. Além disso, o anúncio do perdão de R$ 12,6 bilhões em dividas dos Microempreendedores Individuais (MEIs) também acendeu um novo alerta na frente fiscal.
Vamos, Yduqs e Lojas Renner lideraram as quedas do Ibovespa. Vamos (VAMO3) perdeu 11,22%, Yduqs (YDUQ3) recuou 8,45% e Lojas Renner (LREN3) caiu 8,03%. Magazine Luiza (MGLU3), com baixa de 7,04%, também esteve entre os principais destaques negativos.
C&A e Localiza também devolveram ganhos. As ações da C&A (CEAB3) caíram 5,96%, enquanto as da Localiza (RENT3) perderam 5,72%. Bassani aponta a realização de lucros após as altas anteriores como explicação para as perdas dessas empresas e de Vamos.
PRIO, Embraer e Ambev tiveram as maiores altas. PRIO (PRIO3) avançou 3,58%, Embraer (EMBJ3) ganhou 2,02% e Ambev (ABEV3) subiu 1,75%. Brava Energia (BRAV3) também terminou no campo positivo, com valorização de 1,65%. As petroleiras encontraram apoio na valorização recente do petróleo. Bassani relaciona o desempenho da PRIO ao movimento do Brent e destaca expectativas favoráveis para os resultados da Brava. Petrobras também fechou em alta: as ações preferenciais (PETR4) ganharam 1,52%, e as ordinárias (PETR3), 1,14%.
A Embraer teve o dólar como um fator favorável, segundo Bassani. O especialista destaca a exposição dos negócios da companhia à moeda americana. A empresa também entregou à CVM, às 16h20, um comunicado com uma apresentação a investidores em evento da XP. O registro, por si só, não comprova que a divulgação tenha provocado a alta das ações.
A Vale pressionou o índice brasileiro. Segundo Girardi, a mineradora acompanhou a desvalorização do minério de ferro na China, enquanto os ganhos da Petrobras ajudaram a limitar as perdas da Bolsa.
As bolsas americanas fecharam em queda, com o S&P 500 próximo da estabilidade. O S&P 500 recuou 0,02%, aos 7.805,45 pontos. O Nasdaq perdeu 0,15%, aos 27.204,38 pontos, e o Dow Jones caiu 0,35%, aos 51.670,04 pontos. Os investidores avaliaram os resultados dos grandes bancos no início da temporada de balanços.
A inflação americana e as pesquisas eleitorais seguem no radar. Girardi destaca a expectativa pelo CPI, índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, que pode oferecer pistas sobre a trajetória dos juros. No Brasil, Bassani avalia que novas sondagens eleitorais e movimentos de realização de lucros poderão influenciar os próximos pregões.
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