Para onde vão as tampinhas plásticas de garrafas e de produtos diversos? O plástico pode ser reutilizado. No projeto Tampets, a arrecadação de tampinhas se converte em castração de animais necessitados amparados por protetores, abrigos e Organizações Não Governamentais (ONGs). Em sete anos de atuação, já foram recolhidas 158 toneladas de tampinhas.
De acordo com a tradutora Eliada Marcos, conhecida como Lia, idealizadora do projeto, são arrecadadas de uma a duas toneladas de tampinhas plásticas por mês. Para chegar ao valor da castração de um gato, são necessárias aproximadamente 27,5 mil tampinhas. Para cachorros, a quantidade varia conforme o tamanho e o peso: um cão de pequeno porte precisa de cerca de 100 mil.
Com a coleta, o projeto consegue oferecer, em média, 45 castrações por mês. Em agosto, foram castrados 48 gatos e, em setembro, 41. Em outubro, até o momento, um cachorro passou pelo procedimento. As castrações são realizadas em uma clínica parceira. "Isso facilita muito para a gente no controle financeiro, porque conseguimos saber quanto estamos devendo e quantos animais podemos encaminhar para a clínica naquele determinado mês", explica Eliada.
Segundo ela, há uma fila de espera. "São os protetores, os abrigos e as ONGs que nos procuram. Não há vaga imediata. Se você resgatou uma cachorrinha hoje, não pode simplesmente perguntar se pode levá-la para castrar amanhã. Tem que esperar, porque temos uma fila", explica.
O Tampets completa sete anos no dia 21 de outubro. Ao longo desse período, os pontos de coleta foram crescendo. Atualmente, são 284, em empresas, escolas particulares, estaduais e municipais, pet shops, lojas e estúdios de cabeleireiro.
As tampinhas reunidas ao longo do mês são recolhidas pelos responsáveis pelo Tampets, passam por triagem e são levadas para venda no galpão do comprador. Com o valor arrecadado, o projeto verifica com a clínica parceira a disponibilidade de castrações.
Voluntariado
Por envolver meio ambiente e causa animal, o projeto chamou a atenção da professora de educação infantil Katia Fernandes Prado, de São Roque, que levou o Tampets para a sala de aula. "Em 2024, eu queria fazer um projeto sobre meio ambiente com alguma ação social. Fiquei pensando e propus, só na minha sala, que íamos recolher tampinhas para ajudar alguém. Comecei a procurar nas redes sociais quem recolhesse tampinhas e achei o Tampets, em Sorocaba", conta.
As crianças e suas famílias recolheram tampinhas durante o ano inteiro, realizaram palestras e trabalharam o meio ambiente e o cuidado com os animais. O projeto cresceu e ganhou maiores proporções na cidade. "Em 2025, continuei com o Tampets e, este ano, a escola inteira, o núcleo São João Novo, que tem três unidades aqui, aderiu ao projeto. Ele vai ser o produto final de uma feira de ciências municipal aqui em São Roque", conta Katia.
Para a professora, o trabalho baseado no projeto é importante. "A gente planta a sementinha do cuidar do meio ambiente, porque hoje o futuro está nas nossas mãos", afirma.
O voluntariado é fazer o bem de forma gratuita para outras pessoas ou para os animais, mas, segundo o metalúrgico Francisco Costa, o bem volta para ele. Francisco conheceu o Tampets por meio da esposa e hoje ajuda no que é preciso na sede, com reparos e intervenções, além de atuar na coleta. "Ajudando assim, eu me sinto muito bem, porque percebi que volto para casa mais leve. Então é uma troca, na verdade", afirma.