A contratação de Clarence Seedorf como novo técnico do Corinthians representou uma conquista do executivo de futebol Marcelo Paz em relação a figuras importantes da política do clube.
O que aconteceu
O UOL apurou que pessoas próximas ao presidente Osmar Stabile ficaram contrariadas com a escolha do treinador holandês.
Mesmo diante da resistência de parte desse grupo, Stabile concordou com a negociação conduzida por Paz e deu a palavra final pela contratação. A decisão foi diferente de outros episódios em que o presidente vetou movimentos conduzidos pelo executivo de futebol.
Entre eles estão o recuo na venda do volante André ao Milan, em fevereiro, e o encerramento das negociações pela renovação de Memphis Depay. A permanência do atacante só foi concretizada depois que as conversas, conduzidas inicialmente por Paz, pelo departamento de marketing do Corinthians e pelo estafe do jogador, foram reabertas diretamente entre Stabile e o holandês.
Desta vez, porém, o presidente aprovou a contratação de Seedorf em consonância com o trabalho de Marcelo Paz. A opção pelo treinador foi apresentada ao executivo de futebol pelos empresários Bruno Paiva e Marcelo Goldfarb, da OTB Sports, que participaram da condução da negociação.
O UOL apurou que Stabile chegou a conversar com Seedorf depois que o departamento de futebol avançou nas tratativas. O presidente teve uma impressão positiva do treinador, o que contribuiu para que desse o aval à contratação.
Interino perdeu espaço antes mesmo da goleada
Uma ala importante da política corintiana defendia que o clube aguardasse o resultado do clássico contra o Palmeiras antes de decidir sobre a continuidade de William Batista, técnico do sub-20 que assumiu a equipe interinamente. A possibilidade também agradava a Stabile, que gostou da atividade comandada pelo treinador na sexta-feira (9). Isso tudo antes da goleada por 4 a 1.
O presidente, no entanto, bancou a contratação de Seedorf após a condução do processo pelo departamento de futebol e as avaliações individuais feitas antes da assinatura do contrato.
O departamento de futebol, por sua vez, foi contrário à permanência do interino e continuou no mercado mesmo após as negativas de treinadores. Ramón Díaz era o favorito em uma escolha que reunia o consenso de Stabile e de pessoas ligadas ao Parque São Jorge, mas não aceitou a investida corintiana.
Luis Zubeldia e Sylvinho também recusaram as investidas do clube. Ambos estavam entre os nomes preferidos internamente, inclusive para assumir a equipe antes do Dérbi deste fim de semana.
Após as negativas, Marcelo Paz passou a avaliar outras opções oferecidas no mercado, inclusive nomes que fugiam das alternativas consideradas mais óbvias. Javier Mascherano chegou a ser sondado, mas sequer abriu conversas porque deseja trabalhar somente em 2027. Seedorf, por outro lado, mostrou-se aberto ao projeto apresentado pelo Corinthians, o que contribuiu para o avanço e o fechamento da negociação.
Contratação não teve participação de Memphis
A ala política contrária à chegada de Seedorf também havia se posicionado contra a renovação do contrato de Memphis Depay. Integrantes desse grupo passaram a associar a contratação do novo treinador à permanência do atacante, inclusive pelo fato de ambos serem holandeses.
O UOL apurou, porém, que o nome de Seedorf não surgiu entre as pessoas do clube por iniciativa de Memphis, nem mesmo entre os jogadores do elenco. O atacante não entrou em contato com a diretoria nem teve qualquer envolvimento nas negociações para a contratação do novo técnico.
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