O número de demissões voluntárias cresceu no Brasil, com relatos de trabalhadores que deixaram o emprego mesmo sem ter outro em vista e com discussões sobre como empresas e lideranças estão lidando com mudanças na relação com o trabalho.
O que são demissões voluntárias e o que os números indicam
Demissão voluntária é quando o trabalhador pede para sair do emprego. Em 2025, houve 9,2 milhões de demissões voluntárias, segundo o Caged.
As demissões voluntárias representaram uma fatia relevante dos desligamentos. Esse volume respondeu por 37% de todos os desligamentos de 2023.
Por que pessoas pedem demissão mesmo sem outro emprego
A decisão pode vir quando o trabalho deixa de fazer sentido no dia a dia. Giovanna Moura, publicitária, disse que pediu demissão há quatro meses porque sentia que o trabalho estava exaustivo e não tinha tempo livre.
Saúde mental pode pesar mais do que a segurança de já ter outra vaga. "Eu decidi pedir demissão, mesmo sem outro emprego em vista, mas eu vi que a minha saúde mental era o mais importante naquele momento", afirmou Giovanna.
A falta de vida social e o cansaço acumulado entram na conta. "Eu não tinha uma vida social fora do trabalho porque ele me sugava mentalmente e fisicamente", disse a publicitária.
Como a demissão entra no planejamento pessoal
Alguns trabalhadores tentam criar uma reserva antes de sair. Giovanna afirmou que passou a guardar dinheiro para não depender da existência de um emprego para ter coragem de deixar o lugar onde estava.
O período fora do emprego pode ser usado para reorganizar rotina e prioridades. A publicitária disse que tirou um tempo para descansar, praticar mais exercício físico, se alimentar melhor e "colocar as coisas no lugar".
Estudo e requalificação aparecem como estratégia durante a transição. Giovanna disse que voltou a estudar e começou um MBA, e que segue aberta a oportunidades, sem querer voltar ao padrão de rotina que tinha meses antes.
O que empresas e lideranças são cobradas a repensar
O redesenho de funções e responsabilidades entra no centro do debate. Mariana Achutti, CEO da consultoria Newnew, disse que empresas e lideranças precisam repensar carga de trabalho, papéis, responsabilidades, norteadores estratégicos e governança.
A discussão não se limita a uma geração específica. "A gente estereotipou muito essa conversa, né, colocando os Gen Zs como os grandes vilões ou as grandes pessoas que não têm interesse no trabalho", afirmou Achutti.
Parte dos profissionais busca mais sentido no uso do próprio tempo. "Eu encaro o trabalho como uma parte do meu tempo, e precisa fazer sentido", disse a CEO.
O que a FGV mediu sobre vontade de pedir demissão
Uma parcela ampla já considerou pedir demissão em algum momento. Segundo a FGV, 66% dos brasileiros já pensaram em pedir demissão.
A discussão aparece junto de indicadores de desemprego historicamente baixos. A taxa de desemprego ficou em 5,3%, no menor nível da história para meses de agosto.
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