Após iniciar uma reestruturação para recuperar seus resultados, o Bradesco ganhou avaliações mais favoráveis de JPMorgan e UBS BB nesta semana. O JP recomendou a compra das ações e as duas casas elevaram seus preços-alvo, embora ainda apontem desafios no crédito e na velocidade da recuperação.
O que você precisa saber
Bradesco enfrentou piora dos resultados ligada ao aumento dos atrasos no pagamento de empréstimos, principalmente entre pessoas físicas e pequenas empresas. O presidente Marcelo Noronha reconheceu que o banco demorou a ajustar uma política mais agressiva de concessão de crédito. O caso Americanas também pressionou o lucro, exigindo o reconhecimento de cerca de R$ 4,8 bilhões para cobrir possíveis perdas.
Sob Noronha, que assumiu em novembro de 2023, o Bradesco lançou um plano de reestruturação em fevereiro de 2024. Processo teve mudanças na equipe, revisão dos critérios de crédito, investimentos em tecnologia e reorganização dos pontos de atendimento.
O JPMorgan elevou sua recomendação para o Bradesco em 6 de outubro. No relatório assinado por Yuri Fernandes e equipe, a casa passou a indicar maior participação da ação na carteira. Dois dias depois, o UBS BB, em análise assinada por Thiago Batista e equipe, manteve sua avaliação favorável e também aumentou o valor estimado para o papel.
A queda dos juros longos ajudou nas duas revisões. Essas taxas, referentes a prazos mais distantes, influenciam quanto os analistas consideram que uma empresa vale. Com juros menores, os lucros futuros ganham valor nos modelos, permitindo elevar a avaliação da ação mesmo sem uma grande melhora nas previsões de resultado.
O otimismo aumentou mais na avaliação das ações do que nas projeções de lucro. O UBS elevou em apenas 1% suas estimativas para 2027 e 2028 e manteve praticamente inalterada a previsão para 2026. Já o JPMorgan reduziu em cerca de 2% a 3% as estimativas de lucro de 2027 para a maioria dos bancos, diante dos desafios ainda presentes no crédito.
O JPMorgan vê o Bradesco mais bem posicionado que o Banco do Brasil. Enquanto melhorou a avaliação do banco privado, a casa rebaixou a do Banco do Brasil, citando dificuldades no crédito rural e uma recuperação que pode levar alguns anos. O Itaú, porém, continua sendo sua preferência quando os potenciais de valorização são semelhantes.
As tendências de curto prazo são menos convincentes, mas vemos o Bradesco relativamente mais bem posicionado que o Banco do Brasil. JPMorgan, sobre o Bradesco
O controle de despesas segue como uma das principais apostas para melhorar os resultados. Após reunião com a administração do Bradesco, o UBS destacou a revisão da rede de agências e os investimentos em eficiência. A expectativa é reduzir os gastos em relação às receitas, aumentando a parcela que se transforma em lucro.
A administração permanece confiante de que a relação entre custos e receitas continuará caindo. UBS BB, sobre o Bradesco
A melhora do crédito também será decisiva. Segundo o UBS, a administração espera desaceleração gradual da inadimplência — os atrasos nos pagamentos — e das perdas com empréstimos nos próximos trimestres. Enquanto isso, o banco mantém uma postura moderada na concessão de crédito.
O UBS prevê lucro de R$ 7,2 bilhões no terceiro trimestre, alta de 2% sobre o anterior. A casa projeta retorno sobre o patrimônio de 16,4% em 2027. O indicador mede quanto lucro o banco gera em relação ao capital dos acionistas e ajuda a acompanhar a recuperação da rentabilidade.
As duas casas mantêm recomendações favoráveis ao Bradesco. O JPMorgan passou de neutro para overweight — indicação de dar à ação um peso maior na carteira — e elevou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 26, com horizonte até dezembro de 2027. O UBS BB manteve compra e aumentou o preço-alvo de R$ 24 para R$ 28 em 12 meses.
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