A SpaceX, responsável pela Starlink, poderia ampliar sua atuação na telefonia móvel brasileira, mas ainda não há sinais de que tenha decidido montar uma rede própria para competir diretamente com Vivo, TIM e Claro. A avaliação é do UBS BB, em relatório divulgado hoje.
O que aconteceu
A expansão da SpaceX nos Estados Unidos levantou dúvidas sobre os próximos passos da empresa no Brasil. Ontem, a companhia anunciou a aquisição de novas frequências para telecomunicações no mercado americano. Segundo o UBS, as ações de AT&T, Verizon e T-Mobile caíram aproximadamente entre 6% e 8% após o anúncio
No Brasil, Vivo e TIM também registravam queda nesta sexta-feira. A Telefônica Brasil, dona da Vivo, recuava 4,34%, a R$ 30,64, por volta das 16h. A TIM caía 4,98%, a R$ 17,95. O relatório não atribui a queda dos papéis brasileiros aos planos da SpaceX.
O Brasil está entre os três maiores mercados da Starlink no mundo, segundo estimativa do banco. Por isso, os analistas Leonardo Olmos e Gustavo Farias consideram o país um dos principais mercados a acompanhar caso a SpaceX decida levar sua estratégia americana ao exterior.
Empresa deve avançar com parcerias
O caminho mais provável no curto prazo é trabalhar com as operadoras brasileiras. O UBS encontrou evidências de que a SpaceX busca ampliar a conexão direta entre satélites e celulares, tecnologia conhecida como D2D.
O relatório cita pedidos de direitos adicionais sobre frequências de satélite. Além disso, menciona discussões com reguladores sobre serviços de voz, mensagens e internet. Também aponta iniciativas envolvendo frequências de uma operadora brasileira parceira e menciona notícias da imprensa especializada sobre discussões com a Vivo.
Essa atuação é diferente de montar uma operadora com rede própria. Segundo o banco, as iniciativas identificadas no Brasil se aproximam mais da parceria inicial entre Starlink e T-Mobile nos Estados Unidos do que da estratégia americana mais recente de aquisição de frequências terrestres.
Starlink poderia disputar frequências da Anatel
O UBS não vê uma barreira regulatória evidente que impeça a SpaceX de participar de futuros leilões da Anatel. Para isso, a empresa precisaria atuar por meio de uma pessoa jurídica brasileira e cumprir os mesmos requisitos exigidos dos demais participantes.
A faixa de 850 MHz é o principal ponto de atenção. Essas frequências ajudam a ampliar a cobertura e a levar o sinal ao interior de prédios, onde a conexão exclusivamente por satélite enfrenta limitações.
Nos Estados Unidos, a aquisição anunciada pela SpaceX acrescenta 14 MHz na faixa de 800 MHz ao portfólio da companhia. Para o UBS, a faixa brasileira de 850 MHz poderia cumprir uma função semelhante.
Obter essas frequências, porém, não seria suficiente para reproduzir o modelo americano. A empresa também precisaria de outras faixas para atender ao tráfego de dados, além de infraestrutura terrestre.
O banco não identificou um plano da SpaceX para disputar diretamente os clientes de Vivo, TIM e Claro. Até agora, os analistas não encontraram manifestações de interesse em um futuro leilão de 850 MHz, pedidos de frequências móveis terrestres ou anúncios de implantação de uma rede desse tipo no Brasil. A participação em leilões, a compra de frequências terrestres e a instalação de infraestrutura seriam os principais sinais de uma mudança de estratégia, segundo o UBS.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.