O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou hoje com alta de 1,38%, o que rendeu novo recorde de pontuação, ao encerrar aos 209.066 pontos pela primeira vez. Na semana, o índice acumula valorização de 8,82%. Já o dólar comercial fechou em queda de 0,79%, cotado a R$ 4,985 na venda. Na semana, a moeda americana acumulou desvalorização de 4,43%.
O que aconteceu?
O otimismo com o cenário eleitoral sustentou os ativos brasileiros. Segundo Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, as pesquisas divulgadas na quinta-feira, que mostraram uma leve vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula, deram continuidade ao chamado "trade eleitoral": a valorização de ativos associada à expectativa dos investidores sobre o resultado das eleições.
O Ibovespa teve o terceiro maior avanço semanal desde janeiro de 2020. A alta semanal registrada pelo principal índice da Bolsa brasileira, a B3, fica atrás apenas das altas registradas nas semanas encerradas em 10 de abril e 27 de março daquele ano, em meio à forte volatilidade provocada pela pandemia de Covid-19, segundo levantamento da Elos Ayta.
A perspectiva de mudanças na política fiscal favoreceu a Bolsa e pressionou o dólar. Na avaliação de Bento, os investidores apostam em medidas que poderiam ser adotadas em uma eventual troca de governo. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, também atribui o desempenho positivo ao acompanhamento do cenário político e ao maior apetite por risco.
O dólar terminou o dia abaixo de R$ 5. Para Nossig, a desvalorização reflete um ambiente doméstico mais atrativo aos investidores e um movimento de correção depois de a moeda ter alcançado patamares mais elevados nas semanas anteriores. Bento avalia que a queda da divisa, acompanhada pelo recuo dos juros futuros, indica interesse por ativos de países emergentes, especialmente do Brasil.
A inflação acima das expectativas não impediu a alta da Bolsa. O IPCA, índice oficial de inflação divulgado hoje, avançou 0,82% em setembro e acumulou 4,58% em 12 meses. Para Bento, a reação positiva dos investidores ao cenário político prevaleceu nesta sessão, mas o resultado da inflação ainda pode repercutir nos próximos pregões.
Os juros futuros também recuavam. As taxas dos contratos com vencimento em janeiro de 2027, 2029 e 2031 fecharam em aproximadamente 13,44%, 12,22% e 12,24% ao ano, respectivamente. Bento associa o movimento às expectativas fiscais no Brasil e ao recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
As ações sensíveis à queda dos juros lideraram os ganhos. MRV (MRVE3) subiu 21,62%, Magazine Luiza (MGLU3) avançou 19,22% e Lojas Renner (LREN3) ganhou 11,56%. Cury (CURY3), teve alta de 9,66%, e Cogna (COGN3), 8,53%, também figuravam entre os destaques positivos.
As eleições devem continuar no centro das atenções nas próximas semanas. Bento avalia que novas pesquisas e notícias sobre a disputa presidencial poderão provocar oscilações até o segundo turno. O comportamento da inflação também permanece no radar dos investidores.
As bolsas americanas também fecharam em alta. Nossig aponta que o alívio nos preços do petróleo observado durante a sessão favoreceu o apetite por ações, ao reduzir temporariamente os receios de pressão inflacionária. Bento destaca os ajustes positivos no setor de tecnologia, especialmente entre empresas ligadas à inteligência artificial. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram, respectivamente, 0,83%, 0,59% e 0,64%.
A MRV combinou o otimismo com os juros à divulgação de sua prévia operacional. Segundo Bento, a forte geração de caixa da companhia no terceiro trimestre ajudou a impulsionar as ações. O especialista afirma que empresas mais sensíveis ao custo do crédito ganharam destaque ao longo da semana.
Vivo, TIM e Caixa Seguridade ficaram entre as maiores quedas. Os papéis da Telefônica Brasil, dona da Vivo (VIVT3), recuaram 5,25%, os da TIM (TIMS3) caíram 4,18% e os da Caixa Seguridade (CXSE3) perderam 2,48%.
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