O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), marcou para a próxima semana mais duas sessões de discussão da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que determina o fim da jornada 6x1 e anunciou votação na próxima quarta (14) em primeiro turno.
Em nota, ele afirmou que "cumpre, assim, o compromisso de colocar a proposta em votação, com responsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental". "Caberá a cada senador e a cada senadora decidir com liberdade, consciência e convicção. O Senado segue trabalhando pelos brasileiros."
Mais cedo, ele havia anunciado o calendário ao lado do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que foi eleito no domingo passado (4) para o Governo de Minas Gerais. Alcolumbre fez um aceno ao aliado, ressaltando sua posição sempre favorável ao fim da jornada de trabalho de seis dias por semana.
Cleitinho se posicionou e disse ter conversado com Flávio
Em entrevista ao UOL, Cleitinho disse que conversou com Flávio Bolsonaro (PL) e que o senador afirmou que vai apoiar o fim da escala 6x1.
Na conversa, Cleitinho buscou rebater críticas de que o tema teria sido levantado por interesse eleitoral. Ele disse que defende o fim da escala 6x1 há cerca de três anos e que foi um dos primeiros parlamentares a falar sobre a mudança.
Quero deixar bem claro para a população, porque às vezes algumas pessoas estavam achando que eu estava fazendo isso por causa de campanha, mas eu venho me posicionando sobre o fim da escala 6x1 há no mínimo quase três anos. Fomos os primeiros parlamentares a falar sobre isso.Cleitinho Azevedo, governador eleito de Minas Gerais, em entrevista ao UOL
Apesar disso, o presidenciável do PL defende uma proposta alternativa ao texto, em que a jornada é flexível, a ser negociada entre patrão e empregado. Ele tem criticado o avanço da votação, por ver ganhos eleitorais com ela para Lula (PT), que busca a reeleição.
Estratégia do governo
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse que já foi traçada uma estratégia para acelerar o processo e permitir que a proposta seja votada antes do segundo turno, no dia 25. "Quem tem política, tem prazo e não tem pressa. Eu tenho prazo e não estou parada", afirma a senadora. Sem dar detalhes, ela disse que quer aprovar a PEC "até o prazo necessário".
Ela tem colhido assinaturas para um pedido de reduzir o intervalo entre os dois turnos da PEC, o que possibilitaria que a medida passasse pelas duas votações no mesmo dia.
A PEC prevê o fim da jornada de trabalho de 44 horas semanais —com seis dias de trabalho e apenas uma folga. Ela propõe um regime de trabalho de 40 horas semanais, com dois dias de folga por semana, sem redução salarial, e um período de transição de um ano para a mudança completa.
Para ser aprovado, o texto precisa de 49 dos 81 votos dos senadores em cada um dos dois turnos. Como já passou pela Câmara, se for referendado pelos senadores, ele já ficaria pronto para ser promulgado pelo Congresso.
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