Os índices acionários das Bolsas americanas, na Europa e Ásia recuam nesta quinta-feira, em desempenho influenciado pelo salto do petróleo em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.
O que está acontecendo
Índices de Wall Street recuam na abertura do mercado. Por volta das 13h40 (horário de Brasília), o Dow Jones, composto pelas ações das grandes empresas e dos bancos, recuava 0,20%, a 51.078 pontos na Bolsa de Nova York (Nyse), onde o índice amplo S&P 500 cedia 0,32%, a 7.776 pontos. Na Bolsa eletrônica, o índice Nasdaq, formado pelas empresas de tecnologia perdia 0,68%, a 27.352 pontos.
Variações de Nova York seguem o fechamento da véspera. Na sessão de ontem (7), o Dow Jones puxou as perdas ao cair 0,66%, aos 51.179,87 pontos. Nasdaq e S&P 500 recuaram 0,22%, enquanto o VIX, popularmente chamado de "Índice do Medo", saltou 4,24%.
Indicadores de emprego nos Estados Unidos são usados para mercado calibrar apostas nos juros americanos. O número de pedidos de auxílio-desemprego caiu 2 mil na semana encerrada em 3 de outubro, para 197 mil, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho, resultado abaixo do esperado por analistas consultados pela FactSet, que previam 201 mil solicitações. Dados mostram como está o ritmo da atividade econômica no país, fator usado pelo Fed (Federal Reserve), Banco Central americano para conduzir a política monetária e a taxa básica de juros.
Ata do Fed mostrou que maioria dos dirigentes do órgão considera provável e apropriado um novo aumento da taxa básica até o fim do ano. O documento que detalha a reunião mais recente do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) registrou que todos os participantes apoiaram a alta de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%.
A ata também deixou claro que não parece haver pressa, por parte dos dirigentes do Fed, para subir os juros rapidamente. É preciso analisar os dados e acompanhar a evolução do cenário. Houve bastante discussão sobre a taxa de juros neutra, e o consenso é de que a taxa atual ainda não é suficientemente restritiva. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue
Cotação do petróleo impulsiona o pessimismo dos mercados. Às 14h40, os contratos do Brent, referência internacional para o combustível, com entregas previstas para dezembro saltavam 3,5%, para US$ 103,75. O aumento é considerado adverso para as economias globais, que já começaram a elevar os juros para conter a inflação causada pela escalada do petróleo.
Cenário é influenciado pelo aumento das tensões no Oriente Médio. A revista The Atlantic afirma que a Casa Branca avalia opções de ataque contra o Irã antes das eleições de novembro. Segundo a publicação, o prazo envolve a falta de acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra.
Europa e Ásia
Perdas também impactam maior parte dos índices europeus. As principais bolsas europeias fecharam em queda nesta quinta-feira, 8, pressionadas pela disparada do petróleo após novos ataques dos Houthis contra a Arábia Saudita e pela alta dos rendimentos dos títulos soberanos. A ata do Banco Central Europeu (BCE), que reforçou os riscos inflacionários, também pesou sobre o sentimento. Bancos e empresas de tecnologia lideraram as baixas, enquanto a alta das petrolíferas minimizou as perdas. Na contramão, Lisboa subiu levemente.
Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,16%, a 10.441,60 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,12%, a 24.823,05 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,51%, a 7.729,69 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 1,35%, a 49.297,88 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,78%, a 18.969,20 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,15%, a 9.347,56 pontos.
Entre os bancos, UniCredit caiu 3,2% em Milão, Santander recuou 2,5% em Madri e Société Générale perdeu 2,6% em Paris, em meio à pressão sobre os títulos soberanos. No setor de tecnologia, Infineon cedeu 3,4% e STMicroelectronics recuou 3,6%, acompanhando a liquidação de papéis ligados à inteligência artificial (IA). Siemens também perdeu 2,5% em Frankfurt. Na contramão, a valorização do petróleo impulsionou as ações de energia. Shell e BP avançavam 3,6% e 3,8%, respectivamente, em Londres, enquanto Galp subia 3,8% em Lisboa, contribuindo para o desempenho positivo das duas praças.
Bolsas asiáticas tiveram queda generalizada com a volta das negociações em alguns mercados. O índice sul-coreano Kospi liderou as perdas ao recuar 2,62%. A queda para 6.625,93 pontos foi puxada pelas gigantes de tecnologia Samsung Electronics e SK Hynix, que caíram 2,4% cada.
O índice Nikkei, de Tóquio, registrou queda de 1,42% e fechou a 69.042,11 pontos. Outros mercados importantes da região também fecharam no vermelho, como Hong Kong, com recuo de 1,43%, e Taiwan, que caiu 0,99%.
Bolsas da China continental voltaram de feriado e também fecharam em baixa. O índice Xangai Composite recuou 0,79%, enquanto o Shenzhen Composite apresentou queda mais acentuada de 1,63%. O pregão marca a volta das negociações após uma semana.
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