A XP elevou a JBS à sua principal recomendação no setor de proteínas e manteve indicação de compra para as ações. A corretora estabeleceu preço-alvo de US$ 20,30, o que representa potencial de valorização de 69%, e aposta principalmente em uma recuperação do negócio de carne bovina nos Estados Unidos.
O que diz a XP
A maior mudança está nos Estados Unidos. A XP projeta que a operação de carne bovina no país saia de um Ebitda negativo de US$ 226 milhões em 2026 para resultado positivo de US$ 385 milhões em 2027. O Ebitda é um indicador que ajuda a medir a geração de recursos das operações da empresa.
A projeção melhorou bastante. Antes, a XP esperava que a divisão ainda tivesse Ebitda negativo de US$ 41 milhões em 2027. Agora, a corretora vê mudanças no mercado americano que podem acelerar a recuperação.
O problema hoje é a falta de gado. O rebanho dos Estados Unidos diminuiu após anos de seca e custos elevados para os pecuaristas. Com menos animais disponíveis, frigoríficos como a JBS precisam pagar mais pelo gado, sem conseguir necessariamente repassar todo o aumento ao preço da carne.
Isso aperta as margens. No segundo trimestre, a JBS Beef North America teve receita recorde de US$ 7,8 bilhões, mas Ebitda ajustado negativo de US$ 100 milhões, com o impacto de maior gastos com a aquisição de cabeças.
Por que pode melhorar?
A indústria americana está reduzindo a capacidade de abate. Segundo a XP, foram retiradas entre 7.000 e 8.000 cabeças por dia de capacidade, após fechamento de uma fábrica da Tyson e redução de um turno em outra unidade.
Menos frigoríficos disputando o mesmo gado pode reduzir os custos. A XP também cita a reabertura gradual da fronteira dos EUA com o México, que pode aumentar a disponibilidade de animais. A combinação tende a melhorar o chamado spread — a diferença, de forma simplificada, entre o custo do gado e o valor obtido com a venda da carne.
A XP espera que a operação bovina americana da JBS volte a apresentar margem positiva no terceiro trimestre de 2027.
Brasil ajuda enquanto EUA não melhoram
A diversificação da JBS funciona como um colchão. A companhia atua em diferentes países e segmentos, como carne bovina, suína e de frango. Assim, resultados melhores em algumas operações ajudam a compensar momentos ruins em outras.
O Brasil é um dos destaques. A XP aumentou em 6% sua projeção para o Ebitda da JBS Brasil em 2026 e em 19% para 2027, diante de exportações mais fortes e preços melhores no mercado doméstico.
No segundo trimestre, a JBS teve receita recorde de US$ 23,9 bilhões. O número trouxe uma alta de 14% em um ano, apesar das dificuldades no bovino americano.
Por que a ação pode subir 69%?
A XP acredita que a recuperação ainda não está totalmente refletida nas ações. A JBS negocia a cerca de 5,5 vezes o EV/Ebitda projetado para 2027, indicador que relaciona o valor da companhia à sua geração operacional de recursos e é usado para avaliar se uma empresa está cara ou barata.
Dividendos também ajudam na tese. A XP estima dividend yield de cerca de 8% — ou seja, um retorno com dividendos equivalente a aproximadamente 8% do preço da ação.
Nem tudo, porém, melhorou. A XP reduziu as projeções para a operação de suínos nos Estados Unidos e para a Austrália. Para a Seara, a avaliação é que 2024 e 2025 marcaram o pico do ciclo e que as margens devem se normalizar daqui para frente.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.