O acesso do Santa Cruz à Série B empolga muita gente — e não é difícil entender por quê. Poucos clubes fora da elite têm uma torcida tão numerosa, fanática e apaixonada. Quando o Santinha reage, Pernambuco reage junto. O problema é que, por trás dessa mobilização popular, a situação financeira do clube ainda exige cautela.
A história recente, aliás, serve como alerta. O Santa chegou à Série A em 2016, caiu naquele mesmo ano, foi rebaixado novamente em 2017, depois chegou à Série D e, em 2024, ficou sem divisão nacional. Agora volta a subir, mas ainda carrega uma dívida estimada em cerca de R$ 350 milhões e está em recuperação judicial.
O caixa também segue pressionado. Às vésperas do acesso, o clube recebeu R$ 6 milhões dos investidores ligados à futura SAF para colocar salários atrasados em dia. A Matix Capital negocia assumir 90% das ações e participar da reorganização do passivo, mas essa reconstrução ainda está em andamento.
A Série B naturalmente aumenta receitas, exposição, bilheteria e valor comercial. E nesse ponto o Santa tem um ativo poderoso: sua torcida. O desafio é transformar essa força em receita recorrente e organização, sem repetir o erro de gastar acima da capacidade tentando acelerar a volta à Série A.
O acesso é uma grande notícia. Mas a experiência recente mostra que subir de divisão não basta. Na última vez em que chegou à elite, o Santa Cruz iniciou uma queda que terminou na quarta divisão e depois sem calendário nacional. E, sabemos, SAF não é certeza de sucesso.
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.