A economia dos Estados Unidos gerou 29 mil vagas de trabalho em setembro. O número divulgado pelo Departamento do Trabalho vem abaixo das expectativas, que apontavam para 89 mil contratações após a abertura de postos em agosto.
O que aconteceu
Contratações nos EUA voltam a desacelerar em setembro. As 29 mil vagas abertas fora do setor agrícola revertem o desempenho positivo do mercado de trabalho em agosto, quando foram realizadas 133 mil admissões.
Taxa de desemprego nos Estados Unidos sobe para 4,2%. A variação corresponde a um aumento de 0,1 ponto percentual em relação ao resultado de agosto. Com a alta, 7,1 milhões de pessoas são consideradas desocupadas nos EUA.
Departamento do Trabalho revisou divulgações anteriores. As atualizações apontam que o saldo de contratações de julho e agosto foi reduzido conjuntamente em 60 mil vagas, com julho passando de uma alta de 21 mil para uma perda de 10 mil postos, e agosto caindo de 162 mil para 133 mil empregos gerados.
Salário médio por hora trabalhada no setor privado subiu discretamente. O relatório de emprego (payroll) identificou uma alta de US$ 0,05 (+0,1%) na remuneração por hora, para US$ 37,81. O valor acumula uma valorização de 3% nos últimos 12 meses. Já a jornada média de trabalho semanal ficou estável em 34,4 horas.
Chamou a atenção o crescimento dos salários. Era esperado um avanço de 0,3%, mas veio um crescimento de apenas 0,1%, mostrando uma desaceleração. Esse avanço ficou inclusive abaixo da inflação. Na leitura anual, o crescimento dos salários também ficou abaixo do esperado, embora ainda seja mais condizente com uma situação em que os salários continuam crescendo em linha com a inflação, em torno de 3%. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue
Resultados podem guiar o futuro da taxa de juros dos EUA. O Fed (Federal Reserve), banco central dos EUA, cumpre o duplo mandato para promover o mais alto nível de emprego compatível com a estabilidade de preços. A missão é evitar que o excesso de demanda resulte em uma elevação persistente da inflação. Com isso, os resultados do payroll podem direcionar o futuro das taxas.
Esse crescimento mais morno, mais brando, menos forte do mercado de trabalho aponta para os investidores que talvez não haja necessidade de urgência para a elevação das taxas de juros pelo Federal Reserve porque a economia pode não estar tão forte quanto se esperava. Leonel Oliveira Mattos, economista na StoneX
Projeções ainda indicam para nova alta dos juros neste ano. O monitoramento do CME Group aponta que a taxa de referência vai encerrar 2026 na faixa entre 4% e 4,25% ao ano, patamar 0,25 ponto percentual superior ao atual. Na decisão anunciada no mês passado, o Fed elevou a faixa para o patamar entre 3,75% e 4% ao ano.
Para a política monetária, acredito que o payroll mais fraco reduz, na margem, a probabilidade de mais uma alta de juros na próxima reunião do Fed. Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital Nova York
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