O Supremo Tribunal Federal (STF) está impedido de realizar sessões plenárias sobre determinados temas sem correr o risco de transformá-las num cenário de faroeste.
Ministros reproduzem o comportamento das torcidas político-partidárias que assolam as redes e todo tipo de ambiente social, dos familiares aos profissionais.
Magistrados despiram as togas da imparcialidade judicial para vestirem as camisas de suas preferências políticas.
Não satisfeitos —ou arrogantemente indiferentes— com o repúdio geral à sessão de troca de insultos que (não) tratou do caso do Banco Master, repetiram o bangue-bangue de liminares no episódio da santa padroeira.
O presidente Edson Fachin foi obrigado a desistir da ideia de pôr o tema em pauta nesta quarta-feira (30) para evitar mais uma exibição de suicídio de reputações.
Fala-se que Fachin é hesitante, fraco, que a falta de pulso não está à altura do momento, mas espera-se o quê? Que reaja na base do pugilato? Não faz seu estilo.
Talvez o erro não esteja na incapacidade do presidente da corte de controlar e sim no descontrole dos ministros que se deixam capturar por interesses alheios às suas funções.
O truque do direcionamento de ações a relatores sensíveis às conveniências dos requerentes evidenciou que há juízes de estimação em Brasília.
Não bastasse, vimos a sem-cerimônia com que o presidente da República telefonou ao ministro Flávio Dino para colocá-lo no viva-voz numa cerimônia pública, como se falasse a um companheiro de partido.
Dino interrompeu a ligação, mas no dia seguinte pediu investigação que mantém viva a história da santa. Por essas e outras, o tribunal está dividido, submetido ao risco do vexame a depender do tema abordado nas sessões. Divisão que não tem a ver com o que diz a Constituição e sim quanto ao que determinam as afinidades políticas de cada ala.
Se é assim que o tribunal pretende se conduzir, suas decisões continuarão tendo de ser cumpridas, mas estarão sempre sob a égide da desconfiança do país.
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