Preservar a Amazônia passa por tornar atividades ligadas à floresta economicamente competitivas em relação a alternativas como a pecuária, afirma François Morillion, fundador da Veja, no Divã de CNPJ, do Canal UOL.
Na avaliação do executivo, o debate sobre desmatamento precisa considerar tanto a questão econômica quanto fatores culturais. Segundo ele, a borracha precisa ser valorizada para conseguir competir economicamente com atividades como a criação de gado.
Se a gente valoriza o suficiente a borracha em termos econômicos, aí ela sim pode competir com o gado. Mas isso não quer dizer que vai necessariamente ganhar, porque tem outros fatores como a cultura.François Morillion
Morillion diz que o preço pago pelo mercado hoje não cobre o custo de extrair borracha na Amazônia, porque a referência costuma ser uma borracha plantada em áreas de maior produtividade, como em São Paulo ou na Ásia.
O preço que o mercado paga para a borracha não compensa tirar da Amazônia, por esse preço não se compensa. É um trabalho horrível de se fazer por aquele preço.François Morillion
O fundador da Veja também critica cobranças internacionais pela redução do desmatamento sem uma remuneração compatível pela preservação.
Os países da Europa sempre querendo que o Brasil não desmate. Isso é muito bonito, é muito fácil dizer isso, mas tem que pagar por isso. E pagar caro, porque o que se paga hoje, por exemplo, o próprio Fundo Amazônia, 5 dólares por hectare, é nada.François Morillion
Morillion cita como exemplo um valor de US$ 5 por hectare associado à preservação e o contrapõe à renda que, segundo ele, pode ser obtida com a pecuária. O empresário afirma que uma cabeça de gado ocupa um hectare e pode gerar entre R$ 8 mil e R$ 10 mil em um ano.
Então, não é cinco dólares, é bem mais do que isso.François Morillion
O dono da marca diz que o modelo adotado pela Veja direciona recursos que poderiam ser destinados ao marketing para a origem da cadeia produtiva. Segundo ele, a inspiração veio de uma empresa de comércio justo.
Pega essa verba de marketing e investe na fonte.François Morillion
Para ele, esse modelo também contribui para construir uma história verdadeira em torno da empresa e aproximar funcionários das diferentes realidades que fazem parte da produção.
Morillion conta que a Veja promove "imersões" para que funcionários conheçam suas cadeias produtivas. A ideia, segundo ele, é oferecer essa oportunidade a quem permanece pelo menos cinco anos na empresa. A marca organiza cerca de uma viagem por mês e também leva jornalistas, clientes, influenciadores e outras pessoas próximas à empresa.
Divã de CNPJ no UOL
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