A Raízen convocou uma assembleia especial de acionistas para aprovar a criação de uma nova classe de ações preferenciais, chamada de Classe B.
O que aconteceu
A assembleia digital está marcada para o dia 30 de outubro de 2026. Os acionistas vão analisar a proposta de criação das ações preferenciais Classe B, que terão os mesmos direitos econômicos das atuais preferenciais Classe A.
Os novos papéis terão direito de voto restrito em decisões específicas. Segundo a empresa, a diferença das ações Classe B é a restrição de voto em temas do plano de recuperação extrajudicial (renegociação de dívidas fora da Justiça).
A mudança depende da aprovação do aumento de capital previsto no plano de recuperação. Se essa operação não for validada, a deliberação perde o efeito e a estrutura acionária volta à configuração anterior.
A aprovação exige o voto de donos de mais da metade das ações preferenciais. A assembleia da companhia será realizada exclusivamente em formato digital, conforme prevê a Lei das Sociedades por Ações.
Dívida bilionária e socorro de acionistas
A Justiça homologou a recuperação extrajudicial da Raízen com apoio de 81,6% dos credores. A medida vai reestruturar uma dívida de R$ 61,4 bilhões.
Controladores Shell Brasil e Rubens Ometto vão colocar até R$ 4 bilhões na empresa. Em troca do aporte para garantir a sobrevivência financeira, a participação da Shell cairá de 44% para até 15%, e a de Ometto (da Cosan) para até 4%.
Shell vai receber 14 bilhões de novas ações ordinárias pelo aporte de R$ 3,5 bilhões. O restante das novas ações ordinárias e preferenciais vai servir para converter parte das dívidas com bancos e outros credores.
Bank of New York Mellon (BNY) é o principal credor, com R$ 26,1 bilhões em títulos. A lista tem ainda Bondholders Globais (R$ 7,5 bilhões), True Securitizadora (R$ 6,43 bilhões), Pentágono SA (R$ 6,35 bilhões) e BNP Paribas (R$ 4,2 bilhões).
Raízen será fatiada em duas empresas até o final de 2027. A divisão vai separar os negócios de energia e de combustível. "São mudanças grandes, que devem levar meses para acontecer", afirma o advogado Rodrigo Macedo.
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