O saldo negativo nas contas externas brasileiras subiu para R$ 5,1 bilhões em agosto, salto de 34,2% na comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 3,8 bilhões), mostram as estatísticas do setor externo divulgadas hoje pelo BC (Banco Central).
O que aconteceu
Superávit da balança comercial não sustentou queda das outras atividades. O saldo positivo entre exportações e importações foi de R$ 6,6 bilhões, alta de US$ 1,3 bilhão, em um ano. No período, as vendas de bens totalizaram US$ 33,3 bilhões, avanço de 12,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado, enquanto as importações de bens somaram US$ 26,7 bilhões, alta de 9,4%.
Déficit na conta de serviços aumentou 28,2% e totalizou US$ 5,3 bilhões. A evolução foi puxada pelos aumentos nas despesas líquidas de transporte (+28,3%, para US$ 1,5 bilhão), de propriedade intelectual (+52,4%, para US$ 1 bilhão) e de serviços de telecomunicação, computação e informações (+128,2%, para US$ 1,3 bilhão).
Volume de investimentos diretos no Brasil também encolheu em agosto. Os IDPs (Investimentos Diretos no País) registraram ingressos líquidos de US$ 7,4 bilhões em agosto de 2026, ante US$ 7,7 bilhões no mesmo mês de 2025. A variação foi puxada pelas entradas de US$ 9,3 bilhões em participação no capital.
Em 12 meses, o IDP totalizou US$ 86,6 bilhões (3,39% do PIB). Em agosto do ano passado, a taxa era de US$ 79,3 bilhões (3,64% do PIB).
Saldo de aplicações estrangeiras também foi negativo para Bolsa e de fundos. Os investimentos em carteira no país tiveram saídas líquidas de US$ 5,2 bilhões em agosto de 2026. Os investimentos em ações e fundos de investimento no mercado doméstico registraram saídas líquidas de US$ 6,5 bilhões, enquanto os em títulos no mercado doméstico tiveram ingresso líquido de US$ 1,3 bilhão. Nos doze meses encerrados em agosto de 2026, os investimentos em carteira no mercado doméstico ainda somam ingressos líquidos de US$ 11,7 bilhões.
Envio de lucros e dividendos ao exterior também pressionou o resultado. A conta de renda primária registrou saldo negativo de US$ 7 bilhões, com as despesas líquidas de lucros passando de US$ 4,2 bilhões para US$ 5,9 bilhões.
Reservas internacionais somaram US$ 372,6 bilhões em agosto de 2026. O volume corresponde a um incremento de US$ 2,9 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento decorreu, principalmente, das contribuições positivas de variações por paridades (+US$ 2,7 bilhões) e de receitas de juros (+US$ 0,9 bilhão).
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