O Corinthians chegou à reta final do Campeonato Brasileiro como o único time da Série A que ainda não teve um pênalti a favor em 2026. Por sua vez, o clube teve quatro penalidades marcadas contra.
Avaliação interna
A estatística já provocou reclamações no Corinthians. Ao longo da competição, o clube questionou diferentes decisões da arbitragem e identificou lances em que entendeu que poderia ter recebido penalidades.
O episódio mais recente aconteceu na derrota por 3 a 1 para o Fluminense, na Neo Química Arena, último jogo antes da pausa para a Data Fifa. No fim do primeiro tempo, Kaio César invadiu a área e caiu após contato com Renê.
O árbitro Ramon Abatti Abel mandou o jogo seguir, e o VAR não recomendou revisão. O técnico corintiano Fernando Diniz reclamou da decisão após a partida.
De acordo com fontes ligadas ao clube ouvidas pelo UOL, a percepção é que a não marcação da penalidade foi um erro de arbitragem. No entanto, houve rejeição a qualquer ideia de perseguição da arbitragem.
Internamente, porém, há autocrítica de que a falta de eficiência ofensiva do Corinthians impacta na ausência de pênaltis marcados a favor da equipe. Como o time produz menos que o esperado no ataque, também tem menos chances de cobrar penalidades.
Essa avaliação, por sua vez, também relaciona a baixa produção ofensiva às limitações financeiras do clube e à falta de investimentos no setor ofensivo.
Ex-árbitros divergem do Corinthians
A jogada contra o Fluminense foi submetida à análise de ex-árbitros pelo UOL. As opiniões, porém, são diferentes à do clube, que considera que o pênalti deveria ter sido marcado.
Para Ana Paula Oliveira, o contato entre Kaio César e Renê foi normal. Segundo a especialista, o atacante "valorizou a disputa".
Eu entendi que a jogada foi normal. A decisão do VAR de não interferir também foi correta, a Fifa tem sido muito rigorosa com essas questões da cargaAna Paula Oliveira, ao UOL
Guilherme Ceretta teve o mesmo entendimento sobre o lance. Ele, porém, chamou atenção para a falta de critério em situações semelhantes.
Nada a ser marcado. O problema é que igual esse só que eu lembro no Arrascaeta foi marcado uns três muito parecidosGuilherme Ceretta
Na avaliação de Ceretta, a repetição de decisões diferentes em lances parecidos altera o próprio padrão de interpretação da arbitragem.
O erro repetido acaba virando verdade. Alguns árbitros acabaram com o nível de interpretação. Mas, muitas vezes, a culpa não é dele. E sim de quem colocou ele lá
Juventude viveu situação semelhante
O cenário do Corinthians remete ao que foi passado pelo Juventude em 2024. Naquele Brasileirão, o time gaúcho terminou a competição sem nenhum pênalti a favor, mas, ao mesmo tempo, entre os times com mais penalidades contra.
Diretor da equipe gaúcha à época, Julio Rondinelli admitiu ao UOL que houve muito incômodo com as estatísticas na ocasião.
Eu não acho que tenha sido uma questão de sorte ou azar. Na minha avaliação, equipes que lutam pela sobrevivência, como era o caso do Juventude em 2024, não têm sempre a 'boa vontade' dos árbitrosJulio Rondinelli
Segundo Rondinelli, o clube chegou a procurar a Comissão de Arbitragem da CBF, então comandada por Wilson Seneme, para discutir decisões consideradas controversas.
Até era um ponto que a gente conversava internamente. A gente chegou a entrar em contato com a comissão de arbitragem da CBF, com o Seneme. Ele sempre foi muito solícito, procurava explicar e justificar as decisões, mas era difícil
O ex-dirigente também relatou que o Juventude discutia internamente a atuação do VAR em diferentes partidas.
Em alguns casos, o VAR chamava o árbitro, ele revisava o lance e acabava mudando a decisão. Em outros, o árbitro não marcava e o VAR também não fazia a intervenção. A gente discutiu muito, na época
Comparação com rivais
Ainda assim, diferença em relação aos rivais chama a atenção: Santos e São Paulo possuem seis pênaltis marcados a favor, enquanto o Flamengo tem três, e o Palmeiras, dois.
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