EM 3 de janeiro de 1943, durante um ataque militar americano a Saint-Nazaire, na França, o sargento Alan Magee estava a bordo de um bombardeiro norte-americano B-17 quando a aeronave foi atingida pela defesa antiaérea da Alemanha. Ferido, Magee deixou sua posição dentro do avião e tentou chegar a outra parte da aeronave.
No percurso, o B-17 sofreu novos impactos. O militar foi lançado para fora da aeronave, só que o seu paraquedas estava danificado e sem possibilidade de uso. A cerca de 6 quilômetros de altitude, o sargento se viu em queda livre considerada mortal (mas não para ele).
Sem paraquedas
De acordo o registro histórico da tripulação mantido pela associação de veteranos do 303º Grupo de Bombardeio, Magee foi ferido na torre de artilharia ventral do avião, uma cabine esférica de onde é feito o disparo com metralhadoras contra inimigos. Foi ali que ele descobriu no equipamento de emergência que havia um grande buraco.
Ele chegou ao compartimento de bombas enquanto aguardava a saída de outro integrante da tripulação, quando o avião explodiu antes mesmo de sua saída. Ele foi lançado para fora inconsciente e sem paraquedas. A aeronave tinha sido atingida diretamente pela artilharia antiaérea, entrando num movimento de espiral e se desintegrando.
A queda ocorreu de cerca de 6 quilômetros de altitude. Inconsciente, Magee atingiu o teto de vidro da estação ferroviária de Saint-Nazaire e ficou preso entre as estruturas metálicas do local. Soldados alemães o encontraram vivo e o retiraram do local.
A cobertura de vidro não fez com que Magee saísse ileso. Ele ficou gravemente ferido, com o braço quase arrancado e lesões nas pernas, joelhos e tornozelos, além de dentes danificados. Também havia sofrido ferimentos durante o ataque que destruiu o avião.
Magee foi levado inicialmente para um posto de primeiros socorros e depois para um hospital. Em um relato publicado décadas mais tarde, ele contou que um médico militar alemão cuidou de seus ferimentos.
"Eu devo ao médico militar alemão que me tratou uma dívida de gratidão", relatou Magee no depoimento à newsletter Hell's Angels, da associação de veteranos do seu grupo de bombardeio. Segundo ele, o médico explicou que os dois eram inimigos, mas que, antes de tudo, ele era um médico e faria o possível para salvar seu braço.
O braço foi preservado, e Magee continuou o tratamento sob custódia alemã. Depois, foi enviado para um campo de prisioneiros de guerra, onde permaneceu até o fim do conflito.
Uma estação no caminho
O local onde Magee caiu foi decisivo para sua sobrevivência. Em vez de atingir diretamente o solo, ele atravessou a cobertura de vidro da estação ferroviária de Saint-Nazaire e terminou sobre as estruturas metálicas do prédio.
O próprio Magee voltou ao local décadas depois. Como estava inconsciente durante a queda, não havia visto a estação quando seu corpo atingiu o prédio. Ao observar o teto de vidro, comentou que imaginava que a estrutura fosse menor.
Magee morreu em 2003, aos 84 anos.
Fontes: Nara (National Archives and Records Administration, dos EUA), 303rd Bomb Associação de veteranos do 303º Grupo de Bombardeamento, Hell's Angels Newsletter e Business Insider.
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