Reportagens sobre o uso de um jato ligado ao empresário Daniel Vorcaro e a investigação sobre emendas destinadas a um instituto no Rio de Janeiro se somam como desgaste para Flávio Bolsonaro, avaliam Thais Bilenky e José Roberto de Toledo no A Hora, do Canal UOL.
O tema é um dos destaques do episódio desta semana. O podcast de notícias do UOL, com os jornalistas, está disponível nas principais plataformas. Ouça aqui.
Eles encadeiam notícias que "pipocaram" nos últimos dias - do avião usado por pessoas do mundo político a mensagens reveladas em investigações sobre a destinação de recursos públicos.
Eu reputo que essa notícia do jatinho, embora irônica - porque tinha se acusado o Alexandre de Moraes de ter voado no mesmo jato -, mostra que é um jato extremamente democrático. Para mim, a pior notícia foi a revelação de que o Flávio Bolsonaro enviou uma emenda de praticamente R$ 200 mil do meu, do seu, do nosso dinheiro, para um projeto de um instituto lá na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a pedido de um miliciano condenado no crime do assassinato da Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes - não como quem matou, mas quem comprou a metralhadora que os matou.José Roberto de Toledo
Bilenky detalha que o jato citado no noticiário é um Legacy 650, da Embraer, com capacidade para até 13 passageiros e alcance de mais de 7 mil quilômetros - o que permite viagens longas sem escala.
Segundo ela, a revista Piauí relatou que Flávio Bolsonaro e familiares voltaram da Flórida em janeiro de 2025 em um "jatão" no qual, à época, um terço das cotas estaria ligado a empresas associadas a Vorcaro.
É legal a resposta do Flávio sobre esse assunto. Ele tentou ser engraçado, mas ela é reveladora. Porque acha que o criminoso, o Vorcaro, é menos grave do que o juiz que julga o criminoso. Na cabeça dele, tudo bem voar no avião do Vorcaro, o problema seria se fosse no avião do juiz.José Roberto de Toledo
Na sequência, Bilenky afirma que a Folha de S.Paulo mostrou que Flávio usou um apartamento de quase 160 m² na Vila Nova Conceição, em São Paulo, para atividades de campanha. O imóvel, diz ela, pertence ao advogado Willer Tomaz.
No detalhamento de Thais sobre a operação de compra e venda do apartamento, antes de chegar a Tomaz, o imóvel teria sido comprado por R$ 5,5 milhões e vendido dez meses depois por R$ 3,5 milhões, com perda de R$ 2 milhões, no dia em que o vendedor foi preso.
No eixo das emendas, Bilenky conta que Flávio Bolsonaro destinou R$ 200 mil em 2023 ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP), na Zona Oeste do Rio, para um projeto esportivo com compra de chuteiras.
Ela diz que o UOL ouviu famílias de crianças do projeto e não encontrou relatos de recebimento do material. Bilenky também afirma que o ex-deputado federal Chiquinho Brazão enviou R$ 1,5 milhão ao mesmo instituto.
A Polícia Federal foi com a Controladoria Geral da União, a CGU, agora em junho, fazer uma operação e descobriu que parte das emendas foi desviada por meio de pagamentos indevidos, levantou suspeita e está apurando crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.Thais Bilenky
Toledo diz que, na resposta a questionamentos, Flávio Bolsonaro afirmou ter seguido diretrizes e leis na liberação de emendas e que o destino final do dinheiro não seria responsabilidade dele.
Para Toledo, a sequência de casos reforça um padrão de explicações "pela metade" e de desconhecimento alegado pelo senador sobre pessoas e situações ao redor dele - o que, na avaliação do jornalista, tem impacto político.
Flávio Bolsonaro nunca sabe de nada. "Ah, eu não sabia que o Adriano da Nóbrega era um matador." "Ah, eu não sabia que o Peixe era o braço direito dos Brazão e o cara que comprou a arma que matou a Marielle." "Eu não sabia que o avião era do Daniel Vorcaro." Eu não sabia de nada. Esse é o cara que querem eleger para presidente da República.José Roberto de Toledo
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