O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, vai se reunir nesta tarde com o presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Sousa, para debater "assuntos institucionais". O encontro acontece no momento em que a instituição controlada pelo governo do Distrito Federal busca acertar um aporte de capital para ajustar o balanço, impactado pelas perdas provocadas nas transações com o Banco Master.
O que aconteceu
Reunião de portas fechadas discute situação do BRB. O encontro será realizado na sede do Banco Central a partir das 15h30, em Brasília. Além de Galípolo e Sousa, as conversas também vão envolver o diretor de fiscalização da autoridade monetária, Ailton de Aquino Santos. A previsão é de que a reunião tenha duração de uma hora.
BC cobra explicações sobre o caixa do Banco de Brasília. Reportagem do colunista Júlio Wiziack, do UOL, revelou que o governo do Distrito Federal manteve alocado no BRB dinheiro de pagamentos de despesas e investimentos para evitar uma intervenção do Banco Central.
BRB foi chamado a explicar caixa do Tesouro do DF no banco. Após a reportagem do colunista do UOL Júlio Wiziack, o Banco Central pediu explicações ao Banco de Brasília para saber quanto do capital de giro diário do banco é composto atualmente de recursos do Tesouro do Distrito Federal, controlador da instituição financeira, que enfrenta problemas e precisa receber a injeção de pelo menos R$ 6 bilhões para não sofrer intervenção.
Depósitos seriam utilizados como garantia de "liquidez". A apuração mostra que os recursos foram alocados em uma conta do BRB após o fim das negociações com a gestora de investimentos Quadra Capital, que havia prometido injetar R$ 15 bilhões no banco para a venda de ativos relacionados ao Banco Master, liquidado pelo BC em novembro do ano passado.
Governo do DF nega atrasos para preservar a instituição. A Secretaria de Economia do DF afirmou que todas as medidas adotadas têm o propósito de promover o equilíbrio fiscal e reduzir o déficit das contas públicas, "sem qualquer relação com a gestão de liquidez ou a situação financeira do BRB".
Alternativas
BRB depende de aporte da ordem de R$ 6 bilhões para não sofrer intervenção. A expectativa é de que os recursos sejam liberados pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). A liberação, entretanto, depende do aval do comitê de decisões do fundo. Segundo o ministro da Fazenda, a eventual liquidação do BRB causaria um rombo de R$ 17 bilhões no FGC.
Bancos no FGC sustentariam a solução ao Fundo Garantidor. A proposta apresentada pelo governo federal prevê que uma fiança no valor de R$ 5 bilhões seja oferecida por um sindicato de instituições financeiras públicas e privadas. "É isso ou nós vamos caminhar para a liquidação", disse Durigan, em entrevista ao jornal Valor Econômico.
Banco de Brasília não divulgou os relatórios financeiros de 2025. O documento é considerado essencial para compreender a relação da instituição estatal com o Banco Master. Em fato relevante publicado em março, o BRB avaliou que precisa concluir a auditoria relacionada à Operação Compliance Zero e analisar os possíveis impactos das investigações nos resultados financeiros.
Auditoria analisa possíveis irregularidades com o Banco Master. As avaliações são vistas como determinantes para entender os prejuízos com as operações. A ausência dos resultados aumenta a incerteza do mercado financeiro, que ainda desconhece o tamanho das perdas e a real situação patrimonial do banco. O cenário também amplia a volatilidade dos ativos ligados à instituição.
Socorro do DF
Governo do DF aprovou medidas para cobrir rombo do Banco de Brasília. Em março, o então governador Ibaneis Rocha autorizou o socorro financeiro de até R$ 6,6 bilhões ao Banco de Brasília. O auxílio teve como motivação o "fortalecimento da estrutura patrimonial e da liquidez" da instituição.
Imóveis de empresas públicas poderiam ser utilizados no socorro. A determinação de Ibaneis autorizava a venda ou transferência de propriedades do próprio governo e da Companhia Imobiliária de Brasília e das empresas CEB (Companhia Energética de Brasília) e Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) para compor o patrimônio do banco.
Determinação foi mantida pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, derrubou a decisão de um desembargador do TJDFT para suspender o uso de imóveis públicos para reforçar o caixa do BRB. Na decisão, Fachin classificou a interferência como uma "grave lesão, com evidente risco concreto à ordem econômica".
O Banco de Brasília desempenha papel central no sistema financeiro do Distrito Federal, sendo responsável pela operacionalização de programas sociais relevantes, pelo pagamento de servidores públicos, pela gestão de volumes expressivos de depósitos -- inclusive judiciais -- e pela concessão de crédito em escala significativa à economia local.Edson Fachin, em decisão favorável ao governo do DF
Ex-presidente do BRB teria apressado compras de carteiras do Master. Os desdobramentos da Operação Compliance Zero apontam que Paulo Henrique Costa teria pressionado o diretor financeiro do banco para a aquisição de R$ 12,2 bilhões de ativos fraudulentos e a manipulação do banco controlado pelo governo do Distrito Federal.
Servidores do banco foram presos por golpe contra aposentados. Em junho, a Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três funcionários do BRB suspeitos de promover descontos associativos sem autorização em mais de 3.500 contas de aposentados e pensionistas, com prejuízo inicial estimado em mais de R$ 5 milhões.
O BRB afastou os servidores de suas funções por prazo indeterminado. Na ocasião, a instituição afirmou que a medida persistiria até a conclusão das investigações e a responsabilização dos envolvidos. "O BRB repudia quaisquer práticas criminosas, em especial aquelas que violem direitos de públicos vulneráveis", disse, em nota.
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