A Unilever, conglomerado dono das marcas Omo, Dove e Rexona, registrou lucro líquido ajustado de 3,508 bilhões de euros no primeiro semestre de 2026, alta de 1,7% sobre o mesmo período do ano passado, informou a empresa em seu balanço semestral. No critério contábil, que inclui itens não recorrentes, o lucro atribuído aos acionistas foi de 3,316 bilhões de euros, queda calculada de 5,6%.
O que aconteceu
O lucro por ação ajustado da Unilever foi de 1,61 euro no primeiro semestre, alta de 2,4% informada pela empresa. O lucro por ação diluído no critério contábil, que soma itens não recorrentes, foi de 1,38 euro, queda de 2,5%. A empresa atribui parte do avanço do indicador ajustado à recompra de ações, que reduziu o número de papéis em circulação.
A receita líquida da Unilever somou 25,6 bilhões de euros no primeiro semestre de 2026. O valor é 0,5% maior que os 25,5 bilhões de euros do mesmo período de 2025, variação calculada a partir dos números informados pela empresa. Somente no segundo trimestre, a receita chegou a 13 bilhões de euros, alta calculada de 3,8% sobre igual etapa do ano passado.
O crescimento de vendas medido sem o efeito do câmbio e de aquisições foi de 4,8% no semestre. O desempenho do indicador que a empresa chama de "crescimento subjacente de vendas ficou bem acima da alta de 0,5% na receita em euros. Segundo a companhia, a diferença entre os dois números decorre da valorização do euro sobre moedas como o dólar e a rupia indiana, o que reduz o valor em euros das vendas feitas nesses países. Essa perda cambial foi parcialmente compensada pela desvalorização do euro frente ao real brasileiro e ao peso mexicano.
O lucro operacional ajustado somou 5,193 bilhões de euros no semestre, alta calculada de 0,9%. A margem operacional ajustada ficou em 20,3% da receita, alta de 0,1 ponto percentual sobre o mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou 5,812 bilhões de euros, alta calculada de 1,0%.
A Unilever investiu 599 milhões de euros em Capex, o investimento em fábricas, equipamentos e tecnologia, no primeiro semestre. O valor é 24,8% maior que os 480 milhões de euros aplicados no mesmo período do ano passado, variação calculada pela reportagem.
A dívida líquida da Unilever chegou a 25,961 bilhões de euros em 30 de junho de 2026. O montante é 12,5% maior que os 23,076 bilhões de euros registrados em 31 de dezembro de 2025, variação calculada sobre o trimestre imediatamente anterior. A empresa afirma que o aumento reflete o pagamento de dividendos e a recompra de 1,5 bilhão de euros em ações concluída no período. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, indicador de alavancagem, ficou em 2,3 vezes.
Perspectiva para 2026
A Unilever elevou sua projeção de desempenho para 2026 após o resultado do primeiro semestre. Segundo a companhia, o crescimento subjacente de vendas no ano deve ficar dentro da faixa de 4% a 6% já projetada, com cerca de 3 pontos percentuais vindos de volume. A empresa também prevê melhora moderada da margem operacional ajustada no ano, hoje projetada acima dos 20% registrados em 2025.
O que diz a Unilever
A Unilever afirma que o segundo trimestre teve o melhor resultado de volume de vendas da empresa em mais de uma década. "Entregamos um desempenho forte, liderado por volume, no primeiro semestre, com uma aceleração significativa no segundo trimestre — o melhor trimestre de volume da Unilever em mais de uma década", diz Fernando Fernandez, presidente-executivo da Unilever.
O executivo reconhece que o cenário econômico global segue incerto. "O ambiente macroeconômico segue incerto, mas nossa consistência, disciplina e o forte desempenho do primeiro semestre nos dão confiança de que estamos bem posicionados para entregar nossa perspectiva anual revisada para cima", afirma Fernandez.
Separação do negócio alimentícios
A Unilever segue com o plano de separar sua unidade de alimentos e combiná-lo com a americana McCormick. A companhia informou que, em 23 de julho, a McCormick anunciou o modelo de operação e a equipe executiva da empresa combinada, além do local de listagem secundária das ações, em Londres. Segundo a Unilever, a conclusão da operação é esperada até meados de 2027, o mais tardar, sujeita à aprovação dos acionistas da McCormick e de órgãos reguladores.
Para o presidente-executivo da Unilever, a combinação vai concentrar a empresa em higiene, beleza e cuidados pessoais. "Nossa combinação do unidade de alimentos com a McCormick avança bem e vai destravar valor significativo, transformando a Unilever em uma empresa focada exclusivamente em higiene, beleza e cuidados pessoais, e dando à unidade de alimentos a plataforma para crescer como parte de uma potência global em sabor", diz Fernandez.
A Unilever concluiu, antes do prazo previsto, um programa de produtividade de 800 milhões de euros lançado em 2024. A empresa também encerrou, em junho, um programa de recompra de ações de 1,5 bilhão de euros anunciado em fevereiro. O dividendo trimestral pago em setembro será de 0,4664 euro por ação, 3% maior que o do mesmo trimestre de 2025.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.