As ofertas de títulos emitidos por empresas e instituições financeiras no mercado brasileiro para captar recursos de investidores totalizaram R$ 361,8 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 9,8% ante mesmo mês período do ano passado, de acordo com os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) divulgados hoje. É o maior volume da série histórica da entidade.
O que aconteceu
Captação de recursos no mercado brasileiro no primeiro semestre cresce 9,8% ante um ano antes. As ofertas no mercado de capitais brasileiro somaram R$ 361,8 bilhões entre janeiro e junho, maior volume da série histórica da Anbima iniciada em 2012.
Desempenho foi liderado pela renda fixa. As captações por meio de títulos de renda fixa somaram R$ 288,8 bilhões, entre janeiro e junho deste ano, queda de 5,1% ante mesmo período de 2025.
Debêntures atingiram R$ 169,8 bilhões em recursos captados. O volume de recursos caiu 12,1% ante o primeiro semestre de 2025, mas em termos de número de operações realizadas, as 278 colocações representaram 3,7% mais que em 2025. .
Notas comerciais tiveram crescimento de negócios, mas queda de volume também. Criadas para facilitar o acesso ao mercado de capitais com ofertas menos burocráticas, esses títulos chegaram ao volume de R$ 27,1 bilhões no primeiro semestre, queda de 11,4% ante um ano antes. Já a quantidade de operações aumentou de 86 para 123.
Notas comerciais representam oportunidade para empresas que ainda não estão prontas para captar via debêntures. Com o cenário de juros acindo de forma mais lentamente que o esperado, é natural que a gente tenha visto essa redução dos volumes. Cesar Mindof, diretor da Anbima
Emissões externas de renda fixa alcançaram US$ 24,8 bilhões no primeiro semestre. Foi o maior volume registrado desde 2014. Esse volume foi 44,2% maior que o registrado entre janeiro e junho de 2025. Desse total, US$ 14,6 bilhões foram emissões da República, US$ 7,7 bilhões de empresas e US$ 2,5 bilhões por parte de instituições financeiras.
O destaque é uma participação maior da República nesse mercado. O Tesouro tem usado de maneira mais ativa o mercado internacional como alternativa de financiamento. Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima
Renda variável voltou a ganhar tração em 2026, superando o volume de 2025 inteiro já no 1º semestre. No total, foram colocados R$ 25,2 bilhões em ações no mercado brasileiro no primeiro semestre, sendo R$ 3 bilhões em IPOs (ofertas públicas iniciais). Em todo ano de 2025, a renda variável respondeu por R$ 15,5 bilhões em captações no mercado brasileiro, tudo em follow-on, ou seja, vendas de papéis de empresas já listadas na Bolsa.
A gente vai convergindo para um ambiente mais favorável para captação em renda variável. Vemos interesse do investidor. Entra a questão de convergência de preço. Se redução de redução de juros se confirmar de maneira mais firme, essa retomada deve se consolidar no médio prazo. Cesar Mindof, diretor da Anbima
Fundos Imobiliários foram destaque entre os que tiveram o maior crescimento para o 1º semestre. Em movimento puxado por pessoas físicas e fundos, os fundos de investimentos imobiliários captaram R$ 39,5 bilhões, ante R$ 19,3 bilhões um ano antes.
Fiagros crescem como alternativa para setor em momento desafiador. Os fundos do agronegócio captaram R$ 8,3 bilhões, ante R$ 2,1 bilhões no primeiro semestre de 2025. Segundo Cesar Mindof, diretor da Anbima, esse movimento mostra a busca desse instrumento pelas empresas do setor por capital para enfrentar um quadro de juros elevados e necessidade de refinanciar dívidas.
Mercado secundário de debêntures cresceu 20,6% em volume negociado. O total negociado subiu de R$ 410,1 bilhões, no primeiro semestre de 2025, para R$ 494,6 bilhões no mesmo período de 2026.
Em um cenário mais desafiador de crédito neste primeiro semestre, o mercado de capitais brasileiro permaneceu funcional e ativo, tanto no mercado primário, como no secundário. Foi um teste importante para mostrar que nosso mercado amadureceu e segue resiliente. Cesar Mindof, diretor da Anbima
Em 2025, ofertas no mercado de capitais do Brasil chegaram ao valor recorde de R$ 838,8 bilhões. O crescimento de 6,4% ante o ano anterior foi puxado pelo desempenho da renda fixa, que concentrou a maior parte das captações e manteve sua predominância com R$ 737,7 bilhões.
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