O pessimismo na indústria brasileira avançou em julho e passou a atingir 26 de 29 setores, segundo pesquisa divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
O que aconteceu
Falta de confiança da indústria persiste há 19 meses. Na índústria extrativ, caiu de 54,5 pontos para 52,3 mantendo-se o único ramo ainda acima da linha de 50 pontos que separa o otimismo do pessimismo. Na indústria de construção, houve queda de 47,7 para 45,6 pontos, e na de transformação, de 47,2 para 47,1.
Pessimismo afeta negativamente decisões das empresas, diz CNI. Para Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI, ele "faz com que os empresários sejam cautelosos e adiem decisões de aumento da produção, contratações ou investimentos".
A falta de confiança prolongada e intensa, como a verificada para muitos dos recortes, faz com que o empresário passe a, de fato, reduzir a atividade ou até mesmo interromper planos de investimento e de contratações.Marcelo Azevedo
Índice de confiança subiu em 11 dos 29 setores industriais. As altas, no entanto, são insuficientes para que os segmentos ultrapassassem a linha divisória de 50 pontos e revertessem o pessimismo. No mês, produtos diversos e impressão e reprodução saíram do campo otimista. Os únicos três setores que seguem otimistas são: farmoquímicos e farmacêuticos (55,4 pontos), bebidas (52,2 pontos) e perfumaria, limpeza e higiene pessoal (51,4 pontos).
Mesmo naqueles setores que ainda mostram confiança, o otimismo é moderado. Assim, qualquer mudança no ânimo geral, como aconteceu na passagem de junho para julho, faz com que esses setores passem de confiança moderada para falta de confiança.Marcelo Azevedo
O Centro-Oeste voltou a registrar otimismo após alta em junho. A região atingiu 50,4 pontos e se juntou ao Nordeste, que recuou um pouco, mas segue confiante com 50,8 pontos.
O Sudeste e o Sul aprofundaram o desânimo na atividade industrial. O Sudeste caiu para 45,7 pontos e o Sul registrou a mesma pontuação, mostrando forte pessimismo dos industriais.
Médias empresas lideraram a queda de confiança no mês de julho. Enquanto pequenas e grandes indústrias mantiveram índices estáveis, as médias empresas caíram de 47,6 para 46,3 pontos.
Sobretaxas impostas pelo governo dos EUA preocupam a indústria. Em relatório publicado na semana passada, a CNI estima que a tarifa combinada de 37,5% imposta nos desembarques para os EUA vai afetar vai afetar cerca de 3.900 produtos brasileiros.
Quase metade do total exportado aos EUA está sujeita a algum tipo de tarifa. O percentual é dividido entre aqueles que vão absorver apenas as tarifas de 12,5% pela suspeita de trabalho forçado (3,8%), os com alíquota de 25% contra o Brasil (0,7%) e os que acumularão as duas cobranças (25,5%). Há ainda medidas setoriais específicas, que atingem 18,9% das atividades.
Exportações do setor de madeira serão as mais prejudicadas proporcionalmente. Segundo os cálculos da CNI, o segmento terá 83% das suas vendas para os Estados Unidos tarifadas com a alíquota acumulada de 37,5%. O efeito também vai atingir mais da metade dos negócios de minerais não metálicos (56,2%), químicos (51,8%).
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