O Fed (Federal Reserve), banco central dos EUA, aumentou a taxa de juros da economia norte-americana em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A elevação é a primeira anunciada pela autoridade monetária desde julho de 2023.
Juros sobem nos EUA
BC dos EUA aumenta juros pela primeira vez em três anos. A decisão unânime anunciada pelo Fed leva a taxa de referência da economia norte-americana para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Uma alta de juros não era anunciada nos Estados Unidos desde julho de 2023, quando a taxa passou para o intervalo entre 5,25% e 5,5% ao ano.
Taxa de referência estava estável desde dezembro de 2025. Após cair 0,25 ponto percentual pela terceira vez consecutiva na última reunião do ano passado, os juros norte-americanos foram mantidos entre 3,5% e 3,75% nas quatro reuniões seguintes. Em julho, três dos 12 integrantes do Fed votaram a favor de uma elevação.
Quase 80% do mercado prevê novos aumentos dos juros. Metade dos analistas do monitoramento do CME Group aponta que a taxa de referência vai encerrar 2026 na faixa entre 4% e 4,25% ao ano. Para 27,3%, o intervalo definido em dezembro será de 4,25% a 4,5% ao ano. Outros 21,1% apostam na taxa de 3,75% a 4% ao ano.
Inflação estimula o aumento dos juros nos Estados Unidos. A aceleração dos índices de preços dos Estados Unidos contribui para a decisão do Fed de adotar uma política monetária mais restritiva com a missão de restringir o consumo e devolver a inflação acumulada em 12 meses para a meta de 2%. Em agosto, o índice permaneceu estável em 3,4%.
Fed tem compromisso com a inflação e o desemprego. O duplo mandato da autoridade monetária é promover o mais alto nível de emprego compatível com a estabilidade de preços, evitando que o excesso de demanda resulte em uma elevação persistente da inflação. A taxa atual de desemprego nos EUA atinge 4,1% da população. "A estabilidade de preço é fundamental para o crescimento econômico e acho que demos um passo importante hoje para realizá-lo", disse Kevin Warsh, presidente do Fed.
A inflação permanece elevada, e a medida de política monetária adotada hoje favorecerá um retorno mais célere à meta de 2% estabelecida pelo Comitê para assegurar a estabilidade de preços.Comunicado do BC dos EUA
Presidente do Fed disse que a inflação dos EUA "está muito alta". Ao justificar a elevação dos juros, Warsh afirmou que os diretores da autoridade monetária estão comprometidos com a convergência da inflação para a meta. "Por mais de cinco anos, a inflação está acima da meta. Então, nosso foco predominante está no lado da estabilidade de preços do nosso mandato", disse. "O fato é que a inflação está muito alta e tem sido alta por muito tempo", completou.
Guerra no Oriente Médio também sustenta o veredito do Fed. Warsh reconheceu que a atividade econômica "vem se expandindo em um ritmo sólido", mas ressalta que os "desdobramentos geopolíticos" mantêm elevada a incerteza. "Não podemos afetar qualquer preço individual, seja o preço do petróleo ou da comida na loja, mas o que nós podemos e vamos fazer é garantir que qualquer mudança inflacionária não se amplie ou tenha efeitos de segunda e terceira ordem na economia", disse.
Decisão 'infeliz'
O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, criticou a decisão do Federal Reserve. "Hoje, a decisão bastante infeliz do Fed de aumentar as taxas de juros não foi respaldada por um caso econômico convincente", disse ele à Fox News. "O presidente Donald Trump quer que o Fed faça a coisa certa e reduza os juros para um dos níveis mais baixos do mundo, em vez de aumentá-las."
Casa Branca mantém as críticas frequentes aos juros mais altos nos EUA. Segundo Desai, taxas mais altas vão apenas impedir um progresso econômico significativo, aumentar as taxas de hipoteca e punir empresas. Apesar disso, ele reiterou que Trump continua acreditando na independência do Fed.
*Com informações de Estadão Conteúdo
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