O rio Tietê subiu e ficou perto de transbordar na capital após as fortes chuvas que atingiram o estado desde a madrugada. A marginal sofreu com bloqueios nesta manhã devido a alagamentos.
O que aconteceu
Registros feitos mostram a elevação do volume do rio na capital. A SP Águas informou que não houve, até o momento, registro de extravasamento da calha do rio Tietê ao longo da marginal.
O sistema Alto Tietê, da qual o rio Tietê faz parte, ainda está em nível normal. Segundo dados do Nível Água São Paulo, ele está em 44,92% da capacidade, mas a chuva acumulada em setembro já é mais que o dobro da média histórica mensal.
Ainda há bloqueios nas pistas expressa e central da Marginal Tietê na tarde de hoje. Mais cedo, a interdição era total na altura das pontes Bandeiras, Casa Verde e Freguesia do Ó. Já no sentido Ayrton Senna, a pista local havia sido bloqueada na altura da Ponte Tatuapé, mas também já foi liberada, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Em nota, a SP Águas disse que os pontos de alagamento registrados na região não decorreram do transbordamento do rio, "mas de condições específicas dos sistemas de drenagem diante da intensidade e da abrangência das chuvas".
Motoristas relataram trânsito bastante congestionado nas primeiras horas do dia. Um deles disse ter levado uma hora da Pompéia e até a ponte Casa Verde, por onde teve dificuldades para passar devido a quantidade de água.
O UOL percorreu parte da Marginal Tietê entre às 11h30 e às 13h15, quando a situação já estava mais controlada. Havia ainda alagamento embaixo das pontes Atílio Fontana, Freguesia do Ó e Casa Verde, mas com trânsito fluindo. A reportagem verificou que, mesmo na região do bloqueio das pistas sentido Castelo Branco, o tráfego estava normal.
O nível do rio Tietê seguia alto, mesmo após escoamento de água e trégua da chuva. A previsão do tempo indica que haverá mais chuvas na madrugada, o que poderá causar inundações mais uma vez no domingo.
Cidade de São Paulo teve maior chuva do Brasil em 24 horas. Segundo a Defesa Civil, a cidade apresentou um volume de 75,4 mm, registrada no Mirante de Santana, na zona norte da capital paulista.
Até o momento, mês de setembro já soma volume de 198,2 mm até às 9h de hoje. Este é o segundo maior acumulado do ano, perdendo apenas para o mês de janeiro, que teve ao todo 256,4 mm.
O mês de setembro já está entre os quatro mais chuvosos já registrados. Na série histórica, em ordem, estão 1983 (243,1 mm), 1993 (206,7 mm) e 2015 (201,1 mm). Como ainda há previsão de mais chuvas em setembro, há a possibilidade de o ranking ser alterado.
Mortes e desaparecidos
Defesa Civil contabilizou 25 ocorrências ligadas ao mau tempo desde a sexta-feira (11). O balanço aponta uma pessoa ferida, 23 desabrigadas e 66 desalojadas.
Duas pessoas morreram após um prédio em construção desabar na zona leste da capital. A Defesa Civil esclareceu, no entanto, que a essa ocorrência ainda não está diretamente relacionada com as chuvas.
Três pessoas foram arrastadas por uma enxurrada na avenida Antônio Bardella, na Vila Márcia, em Jandira. Uma delas foi encontrada enquanto outras duas estão desaparecidas e continuam sendo procuradas nesta manhã.
Rajadas de vento chegaram a 92,6 km/h em Piraju, no interior paulista. Também houve registros de 72,7 km/h em Bauru, 66 km/h em Dracena e 61,2 km/h em Araçatuba; na capital, a maior rajada informada foi de 51,5 km/h.
Chuva acumulada passou de 80 mm em diferentes pontos nas últimas 24 horas. Dados coletados indicam 85 mm em Cotia, 83 mm em Santo André, 81 mm em Santana de Parnaíba e 81 mm na cidade de São Paulo.
Ocorrências incluem alagamentos, quedas de árvores, deslizamentos e danos em imóveis. Na capital, duas moradias que ficam às margens de um córrego desabaram e outras oito foram interditadas, deixando 14 moradores desalojados. O Corpo de Bombeiros informou que da 0h às 13h20 houve 16 chamadas para quedas de árvores; 12 para desabamentos e 20 para enchentes. na capital e Região Metropolitana.
Estruturas atingidas e impactos em rodovia
Pariquera-Açu teve queda de tendas em um centro de eventos após uma rajada de vento. Segundo a Defesa Civil, não houve vítimas e o local foi isolado; o evento foi cancelado e equipes avaliaram as condições da área.
Rodovia Régis Bittencourt ficou interditada no km 286 por causa de alagamento. A Defesa Civil também registrou quedas de árvores em municípios como Jaú, Campinas, Pederneiras e Bauru.
Gabinete de Crise foi montado no CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) a partir das 14h de ontem. A estrutura reúne órgãos envolvidos na resposta e segue com equipes mobilizadas para atender ocorrências e monitorar áreas de risco.
As 10 cidades com maiores acumulados de chuva nas últimas 24h
Fonte: Defesa Civil/Cemanden (dados coletados às 6h05)
Previsão do tempo
A chegada de uma frente fria ao litoral paulista neste fim de semana vai provocar chuvas generalizadas com forte intensidade. Elas estarão acompanhas de intensas rajadas de vento que podem superar os 60km/h, de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo.
A Defesa Civil emitiu alerta para o risco de chuvas fortes, ventos intensos e granizo em diferentes regiões do estado. Na capital, os ventos podem superar 60 km/h. "Os modelos de previsão indicam que as instabilidades devem persistir até o início da próxima semana, com leve declínio das temperaturas", explica o órgão.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.