A Fórmula 1 retorna para Madri neste final de semana após mais de quatro décadas - e 35 anos de GP da Espanha disputado em Barcelona. Os primeiros testes do novo cenário já deixaram um susto para a elite do automobilismo internacional: na Fórmula 2, o carro do piloto tailandês Tasanapol Inthraphuvasak pegou fogo ontem (11) após bater nas barreiras na curva 19, nos treinos livres para o GP. O piloto escapou do acidente e passa bem. Na Fórmula 3, 19 bandeiras vermelhas já haviam sido levantadas.
A nova pista, localizada no Centro de Convenções Ifema, em cenário urbano, diferentemente do circuito catalão, representou uma mudança significativa para o automobilismo mundial, inclusive para quem o acompanha.
O que mudou para os fãs?
Para quem acompanha o esporte, também houve mudanças significativas, da acessibilidade à experiência no circuito.
A principal ganho para o público é a mobilidade. Em Montmeló, a 30 minutos do centro de Barcelona, o acesso exigia deslocamento de carro, ônibus ou trem. A pista de Madri é mais próxima ao centro urbano e é possível chegar a ela de metrô, além de ser próxima do Aeroporto de Barajas, no centro da capital espanhola.
No asfalto, a mudança foi de um autódromo permanente clássico para uma pista híbrida de média-alta velocidade.
O destaque é a La Monumental, uma curva inclinada que emula as arenas de touradas, pensada para novos pontos de ultrapassagem e uma visão panorâmica para as arquibancadas.
A mudança também redefine o que acontece fora da pista. Madri abraçou o formato de evento completo que a F1 replica em grandes cidades ao redor do mundo: hospedagem próxima ao circuito, variedade gastronômica e shows de peso como parte do pacote do fim de semana de corrida, a fim de movimentar o consumo nas regiões da prova.
"A Espanha era um mercado que, há apenas alguns anos, não estava no centro dos nossos olhos. Agora, ela é muito importante", afirmou o chefe-executivo da Fórmula 1, Stefano Domenicali, no anúncio de dois anos atrás.
O acordo com Madri tem validade de dez anos e o traçado será híbrido, com vias urbanas e um trecho construído especialmente para o esporte. Madri seguiu o modelo exigido pelos donos da F1, o mesmo aplicado em Las Vegas, único GP organizado diretamente pela categoria: localização de fácil acesso, arquibancadas numerosas e estrutura para milhares de ingressos VIP, vendidos diretamente pela própria F1.
Isso reduz a dependência das taxas cobradas dos promotores locais, fonte de atrito na gestão de Bernie Ecclestone. Há ainda um apelo ambiental: a expectativa inicial é de que 90% dos 110 mil espectadores cheguem de transporte público aos GPs em Madri, ajudando a meta da F1 de neutralizar sua pegada de carbono até 2030.
Desde o início, o foco da Liberty Media era aumentar os lucros da categoria com circuitos de fácil acesso, a fim de atrair um público mais amplo do que o torcedor fanático disposto a encarar viagens desconfortáveis em regiões com pouca infraestrutura turística.
Especificamente sobre Barcelona e Madri, pesaram também os problemas de acesso nas últimas edições do GP da Espanha, na Catalunha, agravados pelo crescimento do público: trânsito intenso para quem ia de carro, filas longas no transporte público e falta de pontos de hidratação, especialmente em 2022, segundo relatos.
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