Trabalhadores dos Correios aprovaram greve por tempo indeterminado em assembleias realizadas em praticamente todo o país após rejeitarem a proposta apresentada pela empresa nas negociações da campanha salarial.
O que aconteceu
Trabalhadores dos Correios aprovaram greve por tempo indeterminado em assembleias realizadas em todo o país. Segundo a Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios). A paralisação teve início às 22h e foi aprovada após o fracasso das negociações da campanha salarial e a rejeição da proposta apresentada pela empresa.
Federação afirma que o mesmo resultado foi registrado nas demais assembleias realizadas pelo país. De acordo com a entidade, as seis bases filiadas à Findtec, em São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Santos, Maranhão e Mato Grosso do Sul, votaram pela rejeição da proposta e pela deflagração da greve.
Um dos principais pontos de impasse nas negociações é o plano de saúde dos empregados. A entidade sustenta que a direção dos Correios pretende alterar sua condição de mantenedora do benefício, medida que, na avaliação dos trabalhadores, pode comprometer o custeio e a garantia da assistência médica a empregados, aposentados e seus dependentes.
Federação afirma ainda que a decisão foi tomada após sucessivas rodadas de negociações e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Conforme a entidade, a categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição sobre temas considerados centrais pelos trabalhadores.
Até o fechamento do balanço divulgado pela federação, 35 assembleias haviam aprovado a paralisação, enquanto a deliberação no Acre estava prevista para esta sexta-feira. Com a greve em curso, entidades de trabalhadores continuará acompanhando a mobilização ao lado dos sindicatos filiados e defenderá a retomada das negociações em busca de uma proposta que preserve direitos trabalhistas e mantenha o atual modelo do plano de saúde.
Segundo a direção dos Correios, negociações apresentaram evolução. A empresa disse que as negociações com os trabalhadores foram bem encaminhadas em todas as 80 cláusulas do acordo coletivo, exceto em dois pontos. A proposta apresentada previa reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados.
Estatal diz que planeja ações para atenuar impactos da greve sobre clientes. Os Correios adotaram medidas para manter a regularidade dos serviços e reduzir possíveis impactos aos clientes durante a paralisação, incluindo remanejamento de equipes, reforço operacional e ações logísticas específicas.
Programa de desligamento voluntário teve baixa adesão. Cerca de 3,2 mil empregados dos Correios aderiram ao PDV aberto no início do ano, aproximadamente 30% da meta buscada pela diretoria, que esperava 10 mil desligamentos. A estatal abriu outro programa mês passado para seguir reduzindo o quadro, atualmente de 76 mil empregadas e empregados diretos. Segundo o Sintect-SP (Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo, Grande São Paulo e zona postal de Sorocaba), a empresa perdeu 50 mil trabalhadores nos últimos dez anos.
Crise financeira atinge a empresa. Os Correios registram prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. No segundo trimestre, o prejuízo acumulado foi de cerca de R$ 2,2 bilhões.
Governo incluiu aporte nos Correios na PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual). Na comparação com a peça deste ano, o maior aumento, de 223%, vai beneficiar o Ministério das Comunicações com as verbas para ajudar os Correios. A equipe econômica listou o aporte financeiro de R$ 6 bilhões para a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) como principal motivo para o aumento dos recursos destinados ao Ministério das Comunicações.
Empresa formalizou um novo pedido de empréstimo junto a bancos privados, no valor de R$ 7 bilhões. É mais uma uma tentativa de reequilibrar as contas da estatal, que vem acumulando prejuízos bilionários trimestre após trimestre. O financiamento ainda depende de um aval do Tesouro Nacional, que será o fiador da operação.
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