Deflação é uma redução média dos preços na economia de um país, algo que ocorreu em agosto, por exemplo, no Brasil, quando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve variação negativa de 0,32%. Segundo economistas, esse evento pode refletir uma economia em desaquecimento ou um ajuste de valores após altas fortes.
Entenda o conceito
Deflação representa uma queda generalizada dos preços de bens e serviços em uma economia. Segundo análises do Banco Central, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) pode, por exemplo, registrar queda influenciada apenas por alguns setores.
Para que ela ocorra, é necessário um recuo contínuo, abrangente e generalizado nos preços. Quedas expressivas em grupos de maior peso à economia, como energia ou combustíveis, podem puxar o índice geral para baixo.
Ainda assim, é possível que os preços de outros itens essenciais continuem em alta ao consumidor. Mesmo com deflação geral, uma alta nos alimentos pode alterar o impacto real para cidadãos comuns, por exemplo.
Deflação é boa ou ruim?
Queda de preços numa economia é positiva quando é impulsionada por melhorias na produtividade. A chamada deflação de oferta ou de custos acontece quando melhorias nas condições da produção e comercialização permitem que produtos e serviços cheguem mais baratos aos clientes finais. Isso ocorre, por exemplo, com desenvolvimento da tecnologia e da infraestrutura.
Nesse caso, é possível haver redução nos valores de venda sem impactar os lucros das empresas. Nesse caso, a deflação aumenta o poder de compra da população de forma saudável.
Recuo de preços é prejudicial quando é motivado pelo enfraquecimento severo do consumo. O Banco Central destaca que se as famílias percebem que os preços estão caindo, podem adiar compras importantes à espera de valores ainda menores, o que gera a deflação.
Se esse comportamento durar muito tempo, há risco de uma recessão econômica atingir o país. Para evitar prejuízos com produtos parados, indústrias e lojas cortam a produção, congelam contratações, demitem funcionários e têm mais dificuldade para pagar suas dívidas fixas.
IPCA de agosto
Brasil registrou uma deflação de 0,32% em agosto, puxada pelo barateamento da energia elétrica e dos alimentos. O relatório do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que o desconto do Bônus de Itaipu, aplicado quando a usina hidrelétrica tem saldo financeiro positivo, reduziu as contas de luz em 7,63%, beneficiando 83,8 milhões de consumidores. A melhoria de safras do agronegócio fez o preço médio dos alimentos cair pelo terceiro mês seguido.
Passagens aéreas e combustíveis fósseis também ficaram mais baratos no período. A média de preços do setor de transportes recuou 0,86%, impulsionada pela queda de 13,17% no valor de passagens de avião e pela queda média de 0,91% nos combustíveis. O etanol recuou 3,95%, enquanto a gasolina caiu 0,59%.
O aumento expressivo no preço do cigarro evitou uma queda ainda maior na inflação geral. A alta de 19,59% no valor do tabaco fez o grupo de despesas pessoais subir 1,30%. Esse foi o item que, individualmente, mais puxou a inflação de agosto para cima.
A inflação acumulada em 12 meses caiu para 4,22%, permanecendo dentro da meta do CMN (Conselho Monetário Nacional). O resultado ficou abaixo do limite de tolerância de 4,5%.
Famílias de menor poder aquisitivo tiveram alívio de preços na mesma intensidade que a deflação geral. O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que engloba famílias com renda de um a cinco salários mínimos, registrou variação de -0,32% em agosto, com alta acumulada de 3,98% nos últimos 12 meses.
Deflação em agosto no Brasil é evento passageiro. Para Gabriel Foglieni, gerente de investimentos da Eleva Invest, o índice de preços teria ficado praticamente estável sem o desconto temporário do Bônus de Itaipu, o que impede ver uma melhora de longo prazo neste momento.
Deflação também reflete a desaceleração da economia brasileira. O economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, destaca que parte da retração do IPCA em agosto tem relação com uma desaceleração da atividade brasileira, provocada pelos juros elevados no país. Segundo o especialista, a queda do mês passado ajuda a aliviar os preços após a alta do petróleo, mas ainda tem dúvidas sobre a velocidade com que o país conseguirá atingir a meta de 3% de inflação.
Inflação deve voltar nos próximos meses, puxada por serviços e alimentos. É o que projeta a equipe macroeconômica do Itaú BBA. Embora reconheçam uma melhora na qualidade dos dados atuais e a desaceleração de produtos industriais, os analistas mantiveram a previsão de inflação a 5,1% para 2026, apontando que os preços no setor de serviços continuam pressionados.
O dado de agosto melhora o cenário e confirma que a inflação está perdendo força, mas ainda é cedo para baixar a guarda. O mais importante agora não é apenas ter voltado para dentro do intervalo da meta, mas conseguir permanecer nele de forma consistente nos próximos meses. Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra
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