O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, chamou Flávio Bolsonaro (PL) de bandido, estúpido, fujão e vassalo de Donald Trump. Ele também acusou o senador de ter a campanha financiada pelo grupo conservador estadunidenses Rockbridge Network e por empresários estrangeiros interessados na exploração de terras raras no Brasil.
"Eu não tenho característica nenhuma do Flávio Bolsonaro. Eu não sou ladrão. Ele é estúpido, fujão. Pelo amor de Deus. Não me ofenda", respondeu em tom de brincadeira.
Mesmo estando à direita no espectro político, o presidenciável afirmou não se encaixar a algo similar ao bolsonarista que, segundo o candidato do Missão, é um "bandido da política".
As falas aconteceram na sexta-feira (11), em sabatina realizada pelo UOL e pela Folha. O encontro foi conduzido pela apresentadora Fabíola Cidral e teve a participação do jornalista Bruno Ribeiro, da Folha, e do colunista Josias de Souza, do UOL.
Na entrevista, Renan Santos também sinalizou que não deve apoiar o candidato do bolsonarismo em um eventual segundo turno contra Lula (PT). "Está descartada a possibilidade de apoiar qualquer pessoa que não seja eu", afirmou, dizendo ter confiança de que irá ao segundo turno.
Um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), ele aparece com 3% das intenções de voto no primeiro turno no Datafolha realizado nos dias 1º e 2 de setembro. Na BTG/Nexus divulgada na terça-feira (8), o candidato fez 4%.
Sem apresentar provas, o candidato alegou que a campanha de Flávio Bolsonaro recebeu indiretamente recursos da Rockbridge Network. A organização faz lobby para pautas conservadores e patrocina campanhas de candidatos, disse. Um dos fundadores é o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance.
Segundo Renan Santos, a Rockbridge representa interesses de empresários da tecnologia e interessados na exploração de terras raras no Brasil. "Eles naturalmente estão se envolvendo com a campanha do Flávio porque eles veem a oportunidade de fazer negócios", disse.
Ele afirma que Flávio é próximo a um grupo ligado ao empreendedor Tallis Gomes, que seria o elo entre senador e a Rockbridge.
Após as declarações de Renan, Gomes emitiu uma nota confirmando que faz parte da Rockbridge como membro, mas sem exercer funções de gestão ou de direção do grupo. Ele nega fazer parte da campanha de Flávio e afirma nunca ter doado recursos a qualquer candidato ou partido e afirmou que "adotará as medidas judiciais cabíveis contra as acusações falsas e as intimidações".
Renan Santos também fez críticas ao feminismo e disse que o movimento "instrumentaliza a mulher como ferramenta política". Ele afirma que há elementos "antidemocráticos, violentos e radicais" no feminismo que não deveriam fazer parte do debate público pois são "ódio puro".
O candidato defendeu o aumento de penas para todos os crimes e disse que o Brasil vive um "surto da violência como um todo", sem considerar o aumento de casos de feminicídios. A pena de morte também foi abordada. Ele se diz pessoalmente favorável, mas afirmou que não proporia qualquer mudança nesse sentido ao longo dos primeiros anos de mandato.
Renan liderou a criação do partido Missão, homologado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em novembro de 2025, e é o atual presidente da sigla. A legenda nasceu como um desdobramento institucional do MBL que, até então, não tinha representação própria na cena política —Kim Kataguiri e Arthur do Val, embora figuras representativas do movimento, foram eleitos deputados pelo Democratas e União Brasil.
Escritor e ativista, ele nunca ocupou um cargo eletivo e tem nas redes sociais seu principal palanque político. Em agosto, o candidato teve sua campanha suspensa na internet depois de a Justiça identificar que ele não havia feito o registro de todos os seus perfis junto ao sistema Divulgacand, em cumprimento a uma regra do TSE. A medida, determinada pelo ministro Dias Toffoli, foi suspensa no dia seguinte.
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