Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), enviou um R$ 1 milhão para a produtora do filme "Dark Horse", que conta a história de Jair Bolsonaro.
O que aconteceu
A PF cita o valor entre as "movimentações atípicas" que a produtora recebeu em 2025. Segundo a investigação, a GoUp Entertainment Ltda, responsável pelo filme, movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro a 30 de dezembro do ano passado. O UOL tenta conta com o empresário.
Marcello deixou a equipe ainda na pré-campanha, em maio. O empresário, conhecido como Marcelão, deixou o cargo após vir a público o áudio, gravado em novembro de 2025, em que Flávio cobra do banqueiro Daniel Vorcaro repasses ao filme. Amigo do filho de Jair Bolsonaro, o marqueteiro ficaria no cargo ainda na campanha, mas aliados do senador pressionaram por sua saída.
As informações da PF constam na decisão de Flávio Dino. O ministro do Supremo Tribunal Federal autorizou uma operação que investiga o repasse de emendas parlamentares ao filme "Dark Horse". Além de Marcello, o deputado federal Mario Frias (PL-SP), aliado da família Bolsonaro, e Karina Gama, dona do ICB (Instituto Conhecer Brasil) e produtora do filme, foram alvos de busca.
Ao todo, a PF cumpriu hoje 49 mandados de busca e apreensão. Os alvos são ligados ao ICB e também à ANC (Academia Nacional de Cultura) —as duas organizações não governamentais estão envolvidas na produção do filme "Dark Horse". O UOL tentou contato com a assessoria de Mario Frias e de Karina Gama, mas não teve resposta.
Frias também teria enviado R$ 645 mil à produtora. Para a PF, o valor é incompatível com a renda do deputado federal e com os "créditos identificados" nas contas bancárias de Frias. "Essa circunstância faz com que ele transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros e coloca o parlamentar como participante ativo da engrenagem financeira sob investigação", afirma a Polícia Federal.
Contatos proibidos
A decisão de Dino proíbe a saída de Frias do país. A determinação também diz que o deputado federal não pode manter contato com outros investigados, como Karina Gama. A mesma regra vale para a dona da produtora.
Ao justificar a cautelar, Dino apontou interferência nas investigações e alinhamento de versões. "Elementos colhidos apontam risco concreto de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferência na colheita dos elementos probatórios ainda pendentes de arrecadação", escreveu na decisão.
Em vídeo publicado em redes sociais no final da tarde, Mario Frias criticou a operação da PF e as investigações, classificando a ação de "cortina de fumaça em ano de eleição". "Não existe mandado de prisão contra mim e nem contra ninguém", afirmou. Frias defendeu as emendas parlamentares destinadas por ele e alega que a defesa pede acesso ao inquérito há meses.
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