Num instante em que o bolsonarismo fatura eleitoralmente a crise do Supremo, Flávio Dino destravou o galope de um azarão. Ao enviar os rapazes da PF aos endereços do deputado Mário Frias e da empresária Karina Gama, o ministro colocou o Dark Horse para trotar no rumo da campanha de Flávio Bolsonaro.
Frias é produtor executivo e roteirista da cinebiografia de Bolsonaro. Karina é dona da Go Up, produtora do filme. Ela também preside o Instituto Conhecer Brasil, que recebeu de R$ 2,6 milhões em emendas Pix enviadas por deputados bolsonaristas, entre eles Frias. Apura-se a suspeita de desvio da verba.
Na véspera, Dino havia falado de eleição no despacho em que divergiu de André Mendonça. Anotou que, "em momentos de acirradas paixões", como o processo eleitoral, um juiz deve zelar para que suas decisões sejam derivadas do "Direito", e não de "pressões partidárias, ideológicas ou interesses pessoais". Na prática, insinuou que teve viés político a liminar em que Mendonça afastou o chefe da PF, revogada posteriormente.
Mendonça deve sua toga a Bolsonaro. Graças à guerra que trava com Moraes e seus aliados no Supremo, virou um sujeito nada oculto da campanha do filho do capitão. Na quarta-feira, enquanto travava uma batalha de liminares com Dino, Mendonça homologou a delação de Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro.
Trata-se do operador usado por Daniel Vorcaro para repassar dinheiro à família Bolsonaro. Mandou para um fundo no Texas, gerido por advogado de Eduardo Bolsonaro, os mais de R$ 60 milhões mordidos por Flávio Bolsonaro no bolso de Vorcaro. Os inquéritos estão longe de terminar. Mas o filho do capitão preso já não pode desfilar pela sucessão como se nada tivesse sido descoberto sobre ele.
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