Luana Cabral, 40 anos, foi demitida em 2012 do cargo de gerente de uma loja da Vivara, em São Luís (MA). Inspirada na história da mãe, Eliana, que havia trabalhado por 15 anos como revendedora de semijoias, ela pegou o dinheiro da rescisão, vendeu o carro e decidiu investir R$ 40 mil em um negócio próprio.Viajou até Limeira (SP), um dos principais polos de joias folheadas do país, para comprar as primeiras peças banhadas a ouro e criou a Luah Semijoias, em 2013.
A operação da empresa no início era simples: Luana vendia as peças para conhecidas e já propunha que virassem revendedoras. "Oferecia a oportunidade para minhas amigas, para colegas de trabalho da minha irmã e até para as minhas próprias clientes. O crescimento foi orgânico", diz. Em seis meses, reuniu uma equipe de 40 revendedoras —todas em São Luís— por meio de indicações e divulgação boca a boca.
A primeira loja física da marca foi aberta em 2017, em Araguaína (TO), terra natal de Luana. No mesmo ano, seu marido, Thiago Dias Borges, entrou como sócio do negócio. Hoje, a empresa tem 2.500 revendedoras e 17 lojas físicas. O faturamento no ano passado foi de R$ 17,4 milhões.
Revendedoras são a alma da marca
São mais de 2.500 revendedoras ativas que vendem ao consumidor final. Todas atuam nas regiões Norte e Nordeste e são alocadas a alguma loja da rede. Hoje, 85% do faturamento da rede vem das revendedoras. O restante é distribuído entre lojas físicas e online.
Mercadoria em consignação: é preciso entrar em contato com uma das lojas e fazer o pré-cadastro. Com a análise de crédito aprovada, a revendedora recebe uma maleta com uma média de R$ 3.500 a R$ 4.000 em mercadoria. A venda é por consignação, com acerto bimestral. Ou seja, após 60 dias, ela paga o que vendeu e devolve o restante para a loja. A comissão varia de 30% a 40%.
Atacado: a compra de mercadoria pode ser feita pelo site ou em uma das lojas. As peças têm 50% de desconto e o valor mínimo da compra é de R$ 2.000.
O negócio foi desenvolvido para crescer por meio da revenda. Acredito que faz sentido para a mulher moderna buscar fontes de renda que possam complementar o orçamento familiar e gerar autonomia e independência Luana Cabral, CEO da Luah Semijoias
São 2 modelos de franquia
Os principais produtos são semijoias banhadas a ouro. O valor médio das peças é de R$ 89. Os clientes geralmente são da classe C. O ticket médio é de R$ 180. Toda a fabricação e galvanização das peças são feitas em Limeira. A empresa tem fábricas parceiras de onde recebe as amostras e faz toda a curadoria.
Das 17 lojas, duas são próprias (Palmas e Araguaína, no Tocantins) e 15 franquias. Há dois modelos de franquia: home office (investimento inicial de R$ 120 mil) e loja física (R$ 258 mil). O faturamento médio mensal varia de R$ 30 mil (home office) a R$ 150 mil (loja física). O lucro médio mensal é de 20% (nos dois modelos).
Home office é uma modalidade nova. Segundo Luana, o franqueado do home office só pode operar nesse formato por até 12 meses; depois, precisa migrar para a loja física. "O franqueado home office trabalha de casa e precisa montar sua equipe de revendedoras. Depois de um ano, ele tem que abrir uma loja física ou sair do negócio. Essa modalidade é nova e já temos duas novas franquias neste formato", afirma.
A marca é ativa nas redes sociais. Luana diz que são canais de relacionamento com clientes, revendedoras e franqueadas. "Produzimos conteúdo diariamente, mostrando lançamentos, tendências, bastidores, dicas de estilo, histórias de empreendedoras e resultados da rede", declara. No Instagram, a Luah Semijoias tem cerca de 65 mil seguidores.
Vale diversificar sempre o portfólio
A criação da marca veio de uma jornada bem-sucedida. Anderson Santos, consultor de negócios do Sebrae-SP, diz que Luana Cabral, por ter trabalhado em uma loja do segmento, já conhecia o mercado de semijoias. "Isso a ajudou a buscar fornecedores em Limeira, o principal polo do setor do país, e lançar a sua marca. Começou no clássico: vendendo para amigas, depois para amigas das amigas e formando sua rede de revendedoras. Foi muito bem-sucedida", diz.
O negócio tem produtos de fácil aceitação. "O produto em si não tem erro, é vendável. Mas cada público tem o seu produto certo. Por isso, a Luah Semijoias e qualquer outra marca do ramo precisam conhecer o perfil da sua clientela para oferecer os produtos mais indicados para ela", afirma o consultor.
O modelo de negócio desperta o protagonismo feminino. Para ele, Luana apresentou uma oportunidade de negócio às mulheres que conseguem ter renda sendo revendedoras da marca. "O papel dela foi ser uma fomentadora do empreendedorismo feminino e, com isso, despertou o protagonismo dessas mulheres", declara.
Mas vale ficar de olho em tendências e sempre trazer novidades. A dica, diz o consultor, é buscar sempre diversificar o portfólio para manter o interesse da clientela, com coleções novas e preços competitivos. "Se a marca tem pouca variação de produtos, acaba não chamando mais a atenção dos clientes nem os seduzindo para novas compras", diz.
Não descuidar do pilar da empresa: as revendedoras. "Geralmente, revendedoras não vendem somente um produto. Elas vendem outros itens, como moda íntima, perfumes, cosméticos, pois precisam levar sortimento aos clientes. Elas precisam ter catálogos de marcas diferentes. Portanto, se, por um lado, as revendedoras seduzem o cliente final, por outro, são elas que devem ser seduzidas pela Luah. A empresa não pode se descuidar disso", afirma.
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