O boom das canetas emagrecedoras levou novos consumidores às lojas do Mundo Verde em busca de produtos ligados à alimentação e à qualidade de vida, afirma Ana Paula Seixas, CEO da rede, no Divã de CNPJ, do Canal UOL.
Segundo ela, o movimento ganhou força há cerca de um ano e meio, perdeu parte do tabu e aumentou o interesse das empresas por esse público. A executiva afirma que a rede ainda precisa entender como os hábitos desses consumidores vão evoluir antes, durante e depois do uso dos medicamentos.
Hoje eu tenho uma parcela de pessoas que vão à loja porque entenderam que precisam ter uma qualidade de vida melhor, uma alimentação melhor. Então, você cresce em torno de 5% de novos clientes. E tem um pouco daquele cliente flutuante: 'eu comecei a tomar, preciso procurar alguma coisa'. Muita gente está tomando sem prescrição, que é o problema. Tem pessoas que chegam porque comprou de algum lugar, está tomando e aí fala: 'ouvi falar que preciso comer proteína, eu preciso tomar proteína'.Ana Paula Seixas
Seixas diz que o uso das canetas, antes mais restrito e cercado de tabu, tornou-se mais aberto e ganhou força no último ano e meio.
Esse boom vem há um ano e meio. Agora tem uma mega explosão. Se eu falar em 2026, é uma mega explosão. Todo mundo hoje fala 'toma canetinha'. Tirou-se os tabus.Ana Paula Seixas
A CEO conta que o desafio para o varejo é separar o efeito do "boom" do que vira hábito permanente. Na avaliação dela, a empresa precisa mapear como o consumidor muda ao longo do tempo e se mantém compras quando interrompe o remédio.
Eu entendo que daqui a pouco tudo se estabiliza, porque todo boom gera uma demanda, mas tudo vai se estabilizar, isso vai fazer parte da sociedade. Então, o que a gente vai ter que se adequar? Entender qual é a necessidade efetiva desse cliente, porque eles vão consumir por mais tempo, e o que ele vai mudando nessa trajetória de vida dele. A hora que ele parar de tomar, ele vai continuar consumindo? A gente precisa entender isso.Ana Paula Seixas
Ela também aponta que a corrida por esse público já mexe com o portfólio de produtos. "Tudo é proteico", diz, citando de milkshake a café com proteína, mas avalia que nem todas as categorias devem se sustentar à medida que o mercado amadurecer.
Além da alimentação, Seixas afirma que o efeito do emagrecimento rápido pode puxar demanda por itens de beleza e cuidados no "pós-emagrecimento", como colágeno e produtos para cabelo e unhas. Para ela, o movimento lembra o que ocorreu com a cirurgia bariátrica, quando muitos pacientes recorreram a procedimentos estéticos depois de perder peso.
Divã de CNPJ no UOL
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