Candidatos ao Senado por São Paulo trocaram acusações e buscaram alianças no primeiro debate da disputa, realizado ontem (9) pela Band.
O que aconteceu
Sete candidatos participaram do encontro na emissora. Estiveram no debate Ricardo Salles (Novo), André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP), Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos).
Salles, Derrite e André do Prado enfatizaram, por vários momentos do debate, que Tebet e Marina não são paulistas e, por isso, não conhecem os problemas do estado. O candidato do Novo chegou a chamar adversárias de "forasteiras".
"Sofremos ataques sobre coisas que nós nunca fizemos, nunca dissemos ou sequer acreditamos. Eu e a Marina temos uma conduta ilibada de combate à corrupção", disse Tebet, em referência a Derrite e Salles. "Dinheiro sujo é dinheiro roubado, diferente de alguns candidatos que estão aqui, que são réus", completou a ex-ministra do Planejamento.
Antes de um embate contra Marina, Derrite chegou a negar que "estava atacando pelo fato de elas serem mulheres", mas a candidata da Rede questionou: "essa afirmação é incoerência sua, porque eu nunca vi você atacando o governador Tarcísio por ter mudado o seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para São Paulo".
Derrite também buscou ligar as duas candidatas a Lula. "Nós temos aqui duas candidatas do PT, do Lula e do Fernando Haddad, que tentam a todo momento, durante a campanha, esconder a imagem do Lula e do Haddad de suas campanhas, que são a Simone Tebet e a Marina Silva", afirmou o candidato do PP.
Segurança pública e crime organizado dominaram parte das falas do bloco inicial. "A esquerda não gosta de polícia e romantiza o bandido", declarou Salles.
Confronto Tebet x Derrite. Ao afirmar que era necessário garantir recursos para o funcionamento das delegacias 24h para o atendimento das mulheres vítimas de violência, Tebet disse que a gestão de Derrite à frente da Secretaria de Segurança Pública não havia conseguido propiciar este serviço.
O ex-secretário reagiu ao comentário da adversária. "Candidata, primeiro, quero deixar claro que essa informação que a senhora traz a respeito das delegacias de defesa da mulher foi um tema que nós ampliamos exponencialmente na nossa gestão", afirmou Derrite.
Tebet atacou a gestão da segurança pública sob Derrite e citou facções e denúncias envolvendo a Polícia Militar. "Houve aumento e expansão do crime organizado do PCC e CV. Inclusive, lamentavelmente, dentro da corporação da Polícia Militar. Um ex-comandante da Polícia Militar indicado pelo ex-secretário de Segurança Pública que aqui está [Derrite] está sendo denunciado, acusado, por envolvimento com o crime organizado", afirmou.
Simone Tebet também direcionou críticas à atuação de Derrite como deputado federal. Segundo ela, o PL Antiffacção, "muito bem feito do Senado", sofreu alterações do relator, Guilherme Derrite, no "quesito de cortar o dinheiro do crime organizado". "Quem coloca arma na mão do bandido é o crime organizado", disse.
Guilherme Derrite aproveitou o tempo de resposta a pergunta de Soninha Francine sobre reforma tributária para replicar Tebet. "A senhora fez parte do governo Lula, mas que moral a senhora tem pra falar de corrupção?", indagou o candidato do PP.
Derrite ainda disse defender investigações e afirmou que não havia indícios quando o citado foi nomeado. "A senhora acusou o ex-subcomandante [da PM] de ser denunciado. Eu defendo a transparência, que todas as investigações prossigam. Quando ele foi nomeado, não tínhamos nenhum indício de envolvimento dele", disse.
Tebet evitou chamar Derrite para confronto direto. No segundo bloco de perguntas entre os candidatos, a ex-ministra teve a oportunidade de escolher o ex-deputado para o embate, mas preferiu direcionar a pergunta a Geraldo Rufino.
O debate também reservou certa tensão no enfrentamento entre Marina Silva (Rede) e André do Prado (PL). O candidato do PL cobrou a adversária, alegando que ela foi eleita deputada federal por São Paulo em 2022, mas ficou só três dias no cargo e assumiu o Ministério do Meio Ambiente.
A crítica não foi bem recebida por Marina, que viu misoginia na pergunta. "Quando é uma mulher que é escolhida ministra, é tido como se fosse um demérito. Quando é um homem, é porque ele era tão valorizado a ponto de ser escolhido", disse Marina.
Ataques entre bolsonaristas
O candidato Ricardo Salles abordou André do Prado (PL) e acusou o adversário de ter apoiado os governos do PT no passado. "Qual a credencial de direita você tem?", questionou Salles.
Salles insistiu na crítica ao adversário, dizendo que ele tenta se apresentar como bolsonarista. "Você quer enganar o eleitor da direita fingindo que é bolsonarista", afirmou o candidato do Novo.
Em resposta, Prado disse que sempre "esteve contra o PT". "Eu tenho 32 anos de vida pública, comecei com 22 anos de idade como vereador de Guararema, fui reeleito vereador, vice-prefeito e prefeito da cidade. Aliás, saí com 92% de aprovação".
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Derrite e Salles atuaram de forma coordenada em parte do debate, com críticas às candidatas ligadas a Lula. Ao responder ao deputado do PP, Salles afirmou: "Derrite, é um prazer estar com você aqui neste debate".
Dobradinha pró-Lula
Entre as candidatas apoiadas por Lula, Tebet e Marina fizeram uma aliança com elogios e pauta trabalhista. "Nós juntas vamos votar pelo fim da escala 6x1 sem redução de salário", disse Tebet ao responder uma pergunta de Marina.
Tebet também elogiou a adversária durante a interação. "Você foi feliz [em sua pergunta]. Parabéns pela pergunta", completou.
Caos Master e STF
Crise no Supremo Tribunal Federal apareceu de forma direta. Prado defendeu a eleição de senadores dispostos a votar processos contra ministros da Corte.
O candidato do PL citou a possibilidade de impeachment de ministros do STF em caso de crime de responsabilidade. "Para chegar no Congresso Nacional, no Senado Federal, e poder votar, inclusive, impeachment de ministros do STF caso esse ministro tenha cometido crimes de responsabilidade, porque ninguém está acima da lei", afirmou.
Marina disse confiar em mudanças no Judiciário para enfrentar o que chamou de problema grave. "Eu tenho toda a confiança de que haverá uma reforma do Judiciário, para que a gente possa passar a limpo e ter respostas estruturantes para este grave problema que estamos vivendo", declarou.
Soninha citou mensagens envolvendo Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes e mencionou contrato do Banco Master com escritório da esposa do ministro. Tebet usou o tema para defender mais participação feminina na política. "No maior esquema de corrupção da história do Brasil com o Banco Master, não tem uma líder, não tem uma política envolvida", disse.
Na parte final, Rufino perguntou a Soninha sobre propostas para emprego e renda. "Não tem só uma medida necessária, são muitas as medidas", respondeu a candidata do Cidadania.
Rufino afirmou ter experiência no tema e citou a própria trajetória de trabalho desde a infância. "Essa é a minha praia", disse o candidato do Podemos.
Ele também defendeu oportunidades de trabalho como forma de evitar o recrutamento de adolescentes pelo crime. "Eu acredito piamente que vamos resolver se nós permitirmos que os meninos de 14 e 15 anos não sejam recrutados pelo crime se ele tiver a oportunidade que eu tive, que é trabalhar com carteira registrada com 14", afirmou.
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