Candidatos a senador por São Paulo participaram na noite desta quarta-feira (9) de debate promovido pela Band no qual bolsonaristas trocaram críticas, e aliadas de Lula (PT) fizeram uma dobradinha.
Numa eleição em que pelo menos três candidatos de direita disputam duas vagas no Senado, o debate começou com ataques dentro do mesmo campo político. A acusação: ter apoiado o PT na sua vida pregressa.
"Qual credencial de direita você tem?", perguntou Ricardo Salles (Novo) a André do Prado (PL), candidato apoiado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). "Você quer enganar o eleitor da direita fingindo que é bolsonarista", disse posteriormente, quase no fim do debate.
"Eu estive sempre contra o PT", respondeu André do Prado, que revidou dizendo que o padrinho político de Salles foi Geraldo Alckmin (PSB), hoje vice-presidente do governo Lula.
Sete candidatos que concorrem às duas vagas no Senado por São Paulo participaram. Além de Salles e André do Prado, compareceram Guilherme Derrite (PP), Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos).
Entre as candidatas apoiadas por Lula, a interação gerou uma troca de elogios. "Nós juntas vamos votar pelo fim da escala 6x1 sem redução de salário", foi a resposta de Tebet a uma pergunta de Marina. "Você foi feliz [em sua pergunta]. Parabéns pela pergunta", também disse a ex-ministra do Planejamento.
Derrite e Salles também fizeram uma dobradinha. O ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo aproveitou sua pergunta ao ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro (PL) para fazer críticas a Marina e Tebet. Segundo ele, as candidatas escondem as imagens de Lula e Fernando Haddad (PT) de suas campanhas. "Derrite, é um prazer estar com você aqui neste debate", começou Salles em sua resposta.
O deputado do PP também falou sobre o crescimento do crime organizado. "A esquerda não gosta de polícia e romantiza o bandido", respondeu Salles.
Ele e Derrite aproveitaram a interação para nacionalizar o debate. Derrite disse que o presidente Lula esteve no mesmo palanque que uma traficante, mesma acusação feita por Tarcísio em seu debate com Haddad na emissora.
Em ato na Favela do Moinho, região central de São Paulo, Lula esteve no mesmo palanque que Alessandra Moja. Ela é irmã de Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moinho, apontado como líder do tráfico. Na época do evento, porém, a mulher não havia sido apontada como uma liderança do tráfico na comunidade.
"Se você sabia que era traficante, por que você não foi lá prender? Eu não sabia. Se eu soubesse, teria dado voz de prisão", rebateu Haddad no debate de agosto.
Alessandra participou da visita de Lula à comunidade em junho de 2025 e foi presa em setembro. Também estava no palco Yasmin Moja, presa posteriormente.
Nesta quarta, Tebet criticou a gestão da segurança pública sob Derrite. "Houve aumento e expansão do crime organizado do PCC e CV. Inclusive, lamentavelmente, dentro da corporação da Polícia Militar. Um ex-comandante da Polícia Militar indicado pelo ex-secretário de Segurança Pública que aqui está [Derrite] está sendo denunciado, acusado, por envolvimento com o crime organizado", afirmou Tebet.
Derrite posteriormente respondeu que a adversária não tem moral "para falar de corrupção". "A senhora acusou o ex-subcomandante [da PM] de ser denunciado. Eu defendo a transparência, que todas as investigações prossigam. Quando ele foi nomeado, não tínhamos nenhum indício de envolvimento dele", disse.
A crise no STF só foi tratada de forma direta pelos candidatos no segundo bloco,após uma pergunta de uma jornalista a Prado e Marina.
O candidato do PL afirmou que é preciso eleger senadores com coragem, "para chegar no Congresso Nacional, no Senado Federal, e poder votar, inclusive, impeachment de ministros do STF caso esse ministro tenha cometido crimes de responsabilidade, porque ninguém está acima da lei".
Marina afirmou: "eu tenho toda a confiança de que haverá uma reforma do Judiciário, para que a gente possa passar a limpo e ter respostas estruturantes para este grave problema que estamos vivendo".
Soninha Francine mencionou a troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes e sobre o contrato do Banco Master com escritório da esposa do ministro. Simone Tebet afirmou que, no maior esquema de corrupção do Brasil, "não tem nenhuma líder, nenhuma política envolvida". Segundo ela, isso mostra a necessidade de se ter mais mulheres na política.
Prado e Derrite criticaram o fato de Marina e Tebet não serem paulistas. Segundo eles, não há contradição com o fato de Tarcísio também ser de outro estado. Segundo eles, o governador escolheu iniciar sua carreira política em São Paulo, enquanto as candidatas não conseguiriam ser eleitas em seus estados de origem.
Rufino perguntou Soninha sobre suas propostas na área de emprego e renda. "Não tem só uma medida necessária, são muitas as medidas", respondeu Soninha. "Essa é a minha praia", disse Rufino. "Eu comecei a trabalhar com oito anos de idade."
"Eu acredito piamente que vamos resolver se nós permitirmos que os meninos de 14 e 15 anos não sejam recrutados pelo crime se ele tiver a oportunidade que eu tive, que é trabalhar com carteira registrada com 14", disse o candidato.
Marina e Derrite estão numericamente à frente na disputa pelo Senado em São Paulo, com 14% cada na pesquisa Quaest divulgada nesta terça (8). Simone Tebet (PSB) apareceu com 12%, em situação de empate técnico com Derrite e Marina.
Em 2026, serão eleitos dois senadores em cada estado e no Distrito Federal, para renovar 54 das 81 cadeiras. Por isso, cada eleitor escolhe dois nomes diferentes.
André do Prado marca 7%, mesmo percentual da pesquisa anterior. Salles tem 3%, ante 4%. Geraldo Rufino e Soninha têm 1% cada, ante 2% cada na rodada anterior. Maíra de Souza (UP), Eliana Ferreira (PSTU) e Guto Schiavetto (Missão) têm 1% cada, mesmo percentual de 25 de agosto.
Brancos e nulos somam 19%, ante 18% na pesquisa anterior, e os indecisos são 26%, ante 27%.
Na pesquisa espontânea, em que os nomes não são mostrados aos eleitores entrevistados, 88% estão indecisos, porque não souberam citar um candidato.
A pesquisa foi contratada pela TV Globo e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código SP-00959/2026.
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