O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) deve explorar críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) na reta final da campanha porque esse discurso "une a direita", avaliou o colunista Alexandre Borges no Pulso Político, do Canal UOL.
O comentário veio após Borges citar publicações em que Flávio classificou como "várzea" o cenário no Supremo e cobrou uma atuação do presidente da Corte, Edson Fachin. Para o colunista, o senador deve insistir no tema por encontrar receptividade entre diferentes grupos do eleitorado de direita.
A gente sabe que estamos chegando na reta final, menos de 30 dias pro primeiro turno. A gente sabe que as críticas ao Supremo Tribunal Federal unem a direita. A direita gosta, o eleitor do Flávio, mas também o eleitor do Caiado, do Zema, do Renan Santos, são eleitores que estão abertos a críticas ao Supremo Tribunal Federal. Então o que ele tá falando ali, e ele provavelmente vai repisar isso nos próximos dias, o subtexto é: você quer brigar com o Supremo Tribunal? Você quer mudanças? Vote em mim. Eu sou o candidato viável para vencer essa eleição e promover mudanças.Alexandre Borges
Segundo Borges, Flávio tem usado uma linguagem "hiperbólica" nas redes sociais ao tratar da crise. O colunista citou uma publicação em que o candidato afirmou que o país "está sem presidente" e cobrou que Fachin resolva a situação "imediatamente em sessão pública".
Para o jornalista, a estratégia eleitoral ocorre em meio a um ambiente de forte atrito dentro do Supremo. Borges afirmou que a Corte está "rachada" e apontou uma "disfuncionalidade" no fato de ministros revisarem e derrubarem decisões tomadas por colegas.
Você tem hoje uma corte rachada, tem ministro revisando e derrubando decisão de outro ministro. Em termos de disfuncionalidade da corte, não tem nada pior do que ter um ministro que decide uma coisa e o outro vai lá e derruba a decisão dele.Alexandre Borges
Borges avaliou que o cenário aumenta a pressão para que Fachin assuma o controle da crise. Para ele, a sucessão de decisões conflitantes exige que o presidente do Supremo dê um "freio de arrumação" na Corte.
Se isso não é um pedido para Edson Fachin dar um freio de arrumação para exercer a presidência do Supremo Tribunal Federal, eu não sei o que é. Então é claro que a oposição vai cair matando em cima. Flávio Bolsonaro vai usar.Alexandre Borges
O colunista também apontou que o STF ganha peso na disputa eleitoral pelo impacto que o próximo presidente terá sobre a composição da Corte. Segundo Borges, o futuro chefe do Executivo deverá indicar ao menos quatro ministros, número que poderia aumentar diante de eventuais novas vagas.
Para Borges, a eleição será determinante para o futuro do tribunal não apenas pela atual crise interna, mas também pelo poder que o próximo presidente terá para alterar sua composição.
É uma eleição que o Supremo Tribunal Federal não só tá no olho do furacão por essa guerra que tá acontecendo todo dia, mas também porque o próximo presidente da República vai ter uma participação muito importante na composição da Corte a partir de 2027.Alexandre Borges
O Pulso Político vai ao ar de segunda a sexta, das 12h30 às 14h30, com apresentação de Daniela Lima.
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