A prévia da inflação perdeu força e foi de 0,06% em julho, na comparação com a alta de 0,41% registrada em junho, mostram dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Como foi o IPCA-15
Prévia da inflação de julho é a menor para o mês desde 2023 (-0,07%). A variação de 0,06% do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) equivale a uma perda de força do indicador em relação à taxa de 0,44% registrada em junho e figura abaixo das expectativas, que apontavam para a alta de 0,19% do índice. Em julho de 2025, o IPCA-15 foi de 0,33%.
IPCA-15 acumula alta de 4,52% nos últimos 12 meses. A desaceleração do indicador neste mês também foi observada para o período entre agosto de 2025 e julho deste ano. No mesmo período do ano passado, a taxa acumulada da prévia da inflação era de 5,3%. Nos sete primeiros meses de 2026, a variação do IPCA-15 é de 3,51%.
Índice acumulado dos últimos 12 meses se reaproxima do teto da meta. Após furar o limite em maio (4,64%) e subir novamente em junho (4,83%), a taxa recente do IPCA-15 cola no limite de tolerância de 1,5 ponto percentual para a meta de 3% definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
Furo da meta pelo terceiro mês seguido ainda não exige explicação do Banco Central. A norma estabelece que a justificativa é necessária caso o rompimento do intervalo persista por seis meses consecutivos. Nesse caso, a autoridade monetária precisa se explicar e dar um prazo para devolver a inflação à meta. Anteriormente, a análise considerava apenas o final de cada ano.
Alimentos mais baratos
Grupo de alimentos e bebidas registrou a primeira deflação após oito meses. A queda de 0,66% dos preços relacionados às despesas alimentícias foi a primeira desde outubro do ano passado (-0,03%) e é a maior para um único mês desde setembro de 2023 (-0,77%). Em julho do ano passado, o preço dos alimentos recuou 0,06%.
Resultado foi puxado pela queda de 1,14% na alimentação no domicílio. Entre os produtos que registraram deflação neste mês, os destaques ficam por conta do tomate (-19,95%) e da batata-inglesa (-10,03%), que haviam dobrado de preço no primeiro semestre, e do café moído. Entre as altas, as mais significativas envolvem a cebola (+7,1%) e o pão-francês (+0,65%).
Preços para comer fora do domicílio ganharam força neste mês. Na contramão do IPCA-15 e do grupo completo de alimentos, o extrato da alimentação fora de casa passou de 0,4% para 0,55% entre junho e julho. O aumento deste mês foi puxado pelas variações da refeição (de 0,39% para 0,66%). O preço dos lanches, por sua vez, desacelerou de 0,45% para 0,3%.
Contas de luz
Tarifas de energia elétrica residenciais ficaram 3,03% mais caras neste mês. A alta foi o principal impacto individual da prévia da inflação e considera a manutenção da bandeira amarela nas contas de luz. A cobrança extra estabelecida pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aumenta as contas em R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Condições menos favoráveis para a geração de energia motivaram a decisão. A Aneel justifica que níveis dos reservatórios das hidrelétricas e necessidade de acionamento de térmicas que possuem custo mais elevado em meio ao período seco, com o volume de chuvas abaixo da média.
Reajustes tarifários também interferiram no aumento de preço das contas. O IBGE destaca que a alta absorveu a incorporação do aumento das tarifas de energia em Curitiba (12,85%), Porto Alegre (5,05%), em uma das concessionárias em São Paulo (2,65%) e em Belo Horizonte (1,37%).
Combustíveis ficaram 0,9% mais baratos neste mês de julho. A variação foi registrada com queda generalizada dos líquidos, com baixas do etanol (-2,50%), óleo diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%), na comparação com o mês passado.
Veja a variação de cada grupo
O que é o IPCA-15
Índice foi criado para apurar a variação dos preços nos 30 dias finalizados na metade de cada mês. O indicador começou a ser divulgado em maio de 2000 e representa uma prévia do IPCA, o índice oficial da inflação no país. Para este mês, a apuração refere-se ao período entre 17 de junho e 15 de julho de 2026.
Indicador considera a evolução dos preços em nove grandes grupos. As análises levam em conta as variações apresentadas por itens das áreas de alimentação e bebidas, artigos residenciais, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário.
Coleta de preços do IPCA-15 é feita em um período distinto do usado pelo IPCA. Com isso, o indicador demonstra qual será a tendência do resultado do mês. A análise tem como alvo a cesta de produtos consumidos pelas famílias com renda de um a 40 salários mínimos, residentes em 11 áreas urbanas do Brasil (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Distrito Federal).
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.