O Palmeiras inicia nesta noite o confronto com a LDU por vagas nas semifinais da Copa Libertadores. Amanhã, é a vez do Flamengo começar a medir forças com o Independiente del Valle para ser novamente um dos quatro melhores times da América do Sul no ano.
Até o começo do século, jogos como esses não tiravam o sono dos torcedores brasileiros. Afinal, enfrentar times equatorianos era quase uma certeza de classificação e com boas chances de goleadas.
Só que esse cenário mudou radicalmente nos últimos 20 anos. O Equador, antes um patinho feio do futebol sul-americano, deixou Uruguai, Paraguai, Chile e Colômbia para trás e virou a terceira força do continente.
A própria Libertadores-2026 é um bom exemplo disso. Suas quartas de final contam com clubes de apenas três países: Brasil (Fluminense, Palmeiras, Fla e Corinthians), Argentina (Platense e Vélez Sarsfield) e, claro, Equador (LDU e Del Valle).
Só nos últimos cinco anos, o futebol equatoriano alcançou as semifinais da competição em duas oportunidades: uma com o Barcelona de Guayaquil (2021) e outra com a LDU (2025). O único outro time não argentino ou brasileiro que chegou tão longe foi o Peñarol, do Uruguai, em 2024.
Os últimos troféus de torneios interclubes da Conmebol que não foram para os dois países mais poderosos do continente acabaram encontrando casa no Equador. O Del Valle foi campeão da Copa Sul-Americana em 2019 e 2022, enquanto a LDU ficou com a taça em 2023.
O crescimento exponencial vivido pelo futebol equatoriano nas últimas décadas é resultado direto do pesado investimento na formação de jogadores que tem rolado por lá.
As categorias inferior do Del Valle, de onde sairam Moisés Caicedo (Chelsea) e Piero Hincapié (Arsenal) já são reconhecidas como uma das grandes produtoras de talento do futebol mundial e inspiraram os outros clubes do país a concentrarem seus esforços na base.
Esse investimento já melhora de imediato a qualidade técnica dos jogadores dos elencos principais dos clubes equatorianos. Também os torna financeiramente mais fortes para investir em reforços graças ao dinheiro arrecadado com a venda das suas crias para o exterior.
Some-se a isso a altitude de Quito (2.850 m acima do nível do mar), que dá um gás extra para LDU e Del Valle quando atuam como mandantes -esse fator também ajuda a Bolívia, mas não a ponto de torná-la realmente competitiva no cenário continental devido à qualidade mais baixa das suas equipes.
O Equador tem só um título de Libertadores no currículo, conquistado em 2008, pela LDU. Barcelona de Guayaquil (1990 e 1998) e Del Valle (2016) também já chegaram a finais, mas acabaram derrotados.
A Libertadores-2026 é uma espécie de edição de desempate entre Argentina e Brasil pelo posto de maior campeão do torneio em todos os tempos.
Os dois países mais poderosos do futebol sul-americano têm exatamente o mesmo número de taças, 25, e dividem o recorde.
A diferença é que a terra de Lionel Messi construiu uma trajetória histórica mais homogênea na competição, enquanto os brasileiros tiraram a vantagem dos arquirrivais com a sequência de conquistas desta década -já são sete títulos consecutivos, domínio inédito na história do torneio.
O sucessor do Flamengo como vencedor da competição interclubes número um da Conmebol será conhecido no dia 28 de novembro. A decisão está marcada para o estádio Centenário, em Montevidéu (URU).
Libertadores - quartas de final
Ontem - Fluminense 2 x 0 Platense, no Rio de JaneiroHoje, às 19h - Palmeiras x LDU, em São PauloHoje, às 21h45 - Estudiantes x Corinthians, em La Plata (ARG)Amanhã, às 21h30 - Independiente del Valle x Flamengo, em Quito (EQU)
15/09, às 19h - Platense x Fluminense, em Florida (ARG)16/09, às 19h - LDU x Palmeiras, em Quito (EQU)16/09, às 21h45 - Corinthians x Estudiantes, em São Paulo17/09, às 21h30 - Flamengo x Independiente del Valle, no Rio de Janeiro
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