A Prefeitura de Nova York divulgou documentos inéditos que indicam preocupação com o ar tóxico em Manhattan após os ataques de 11 de Setembro.
O que aconteceu
O prefeito Zohran Mamdani anunciou hoje a divulgação dos arquivos ao lado de sobreviventes dos ataques. "As pessoas adoeceram porque os líderes em que confiavam mentiram e disseram que era seguro respirar ar tóxico", afirmou durante evento às vésperas do 25º aniversário dos atentados.
Os documentos indicam que autoridades tinham preocupações com a qualidade do ar enquanto afirmavam ao público que ele estava seguro. O material deve mostrar o que a cidade sabia sobre a condição do ar, quando tomou conhecimento e como agiu para limitar responsabilidades, disse Mamdani.
A prefeitura encontrou 68 caixas de documentos no ano passado, após autoridades terem dito que não possuíam os registros. A divulgação encerra uma ação movida pela organização 9/11 Health Watch, um grupo de defesa das vítimas que cobrava acesso aos arquivos.
Questionado sobre os nomes dos funcionários que ocultaram informações, o político disse que se trata de uma multidão. "Durante 25 anos, quatro diferentes administrações municipais ocultaram do público, do Congresso dos Estados Unidos e da Câmara Municipal documentos que mostravam o que a cidade realmente sabia sobre o perigo dos químicos tóxicos", complementou o diretor da 9/11 Health Watch, Benjamin Chevat, em um comunicado.
Mamdani afirma que a cidade vai publicar centenas de milhares de páginas de relatórios sobre a qualidade do ar em um portal na internet. A prefeitura prevê gastar mais de US$ 34 milhões (R$ 134 milhões) na iniciativa e liberar novos documentos ao longo do próximo ano, conforme forem revisados.
Ar tóxico matou milhares de moradores
Milhares de pessoas sofreram efeitos na saúde, incluindo câncer, após respirar contaminantes liberados pelo colapso dos edifícios. Na época, 2.977 pessoas morreram em decorrência dos desabamentos, e outras mais de 9.400 morreram devido a doenças relacionadas à exposição à área nos anos posteriores, segundo um panorama federal de vigilância médica.
Autoridades municipais e federais, incluindo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, declararam dias após os ataques que o ar perto das torres era seguro. Pesquisas posteriores indicaram que pessoas respiraram substâncias químicas tóxicas na região.
Christine Todd Whitman, que comandava a agência ambiental americana na época, mais tarde pediu desculpas pela declaração. Ela disse que o órgão "fez o melhor que podia naquele momento com o conhecimento que tinha".
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