O delegado William Murad, até então diretor executivo da Polícia Federal, assumiu o cargo de diretor-geral em exercício da corporação após Andrei Rodrigues ser intimado oficialmente do afastamento imposto pelo ministro André Mendonça.
Murad era o número dois e braço direito de Andrei Rodrigues no comando da PF. Sua ascensão a direção-geral é um indicativo de que, por ora, não haverá nenhuma mudança significativa no dia a dia da corporação.
O delegado iniciou sua carreira na PF em 2002 e tem ampla experiência em cargos de chefia e direção.
Em 2017, Murad foi coordenador-geral da Inteligência na Diretoria de Inteligência Policial, a DIP, que está no centro da crise com o ministro André Mendonça.
De 2018 até 2021, foi diretor de Tecnologia da Informação e Inovação e, de 2021 até 2024, foi adido da PF no Reino unido.
Com perfil conciliador, o delegado é respeitado internamento e ocupou cargos de chefias na PF em gestões durantes governo de esquerda e de direita.
Já no lugar de Leandro Almada, afastado da chefia da Diretoria de Inteligência Policial (DIP), assume Rafael Caldeira, até então chefe da Contra-Inteligência.
Andrei Rodrigues foi afastado por decisão monocrática de Mendonça, mas que já apoio da maioria da Segunda Turma do STF. Votaram com Mendonça os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O julgamento, no entanto, está paralisado por um pedido de vista de Gilmar Mendes.
O afastamento é mais uma capítulo da crise entre o gabinete de André Mendonça, a direção da PF e a ala do STF ligada ao ministro Alexandre de Moraes.
Após Mendonça pedir um relatório que resultou na exposição das mensagens de Moraes e Daniel Vorcaro, o ministro pediu à PF informes de inteligência que citavam a atuação de Mendonça.
Foi a produção desses relatórios a base da da decisão de Mendonça para afastar Andrei Rodrigues.
Mendonça cita a descoberta de um esquema de monitoramento sistemático, ilegal e sem base técnica conduzido pela inteligência da PF. O magistrado listou seis relatórios produzidos entre os dias 3 e 31 de agosto com análises sobre sua atuação e sobre sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias.
O ministro concluiu formalmente que estava sendo monitorado de forma ilícita "ao menos há mais de 30 dias". Ele também afirma que a coleta dirigida contra ele e contra Jorge Messias ocorria "ao menos há mais de um mês". A situação foi apontada por Mendonça como de "superlativa gravidade" e embasou a decisão de afastar preventivamente o diretor-geral da PF.
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