O último grande título conquistado pelo Palmeiras de Abel Ferreira foi o Brasileirão de 2023. De lá para cá, disputou taças, mas venceu apenas um Paulistão. Ele dirá que isto está ótimo. Que título é título. E que o futebol está doente, porque a imprensa intoxicou o esporte a ponto de acreditarmos que o segundo lugar é uma merda.
Então, ele chutará um microfone. Parecerá um comportamento descontrolado, doente até.
Observem, porém, quantos microfones colocam ao seu lado.
Após empatar com o Botafogo por 0 a 0, conquistando o sétimo ponto em nove jogos e perdendo a liderança para o Flamengo, ele explicará o problema: "Vocês veem algum microfone na Liga dos Campeões? No Mundial de Clubes? Nos campeonatos europeus? Por que aqui tem? Já chega. O que vocês querem com isso? É fazer manchetes? Estamos no Big Brother? Três microfones. Eu não vou mudar minha essência, sou super competitivo, odeio perder, e tenho meus demônios — assim como todos. A única coisa que peço é que os critérios sejam iguais para todos, seja no STJD ou no campo".
Ele tem demônios, como todos, mas também o que vocês querem com isso? Que tipo de provocação é essa? Como podem esperar que o líder de um dos times mais ricos do Brasil, que recebe milhões por mês e goza da maior estabilidade empregatícia da história da profissão no país, ganhe toda hora? Como podem esperar que se responsabilize pela falta de criatividade e recurso tático da equipe no campo? Por que ele assumiria sua parte neste latifúndio?
Afinal, não há critérios. O STJD. O calendário. Os gramados. Os árbitros. A mídia. É preciso tempo e paciência. Competir com caráter. Usar a base que rende bilhões. Comparem onde jogaram os jogadores do Flamengo e os do Palmeiras. O time está vivo em todas as competições. Nunca o clube disputou tantos títulos. Desfrutem.
O torcedor de verdade sabe tudo isso. Quem entende das coisas entende que a culpa não é dele. Nunca foi e nunca será. Mesmo que o Palmeiras não dê um chute ao gol na final da Libertadores. Mesmo que derreta em agosto, de novo. Mesmo que uma epidemia de má fase atinja todo o elenco. Não é ele quem joga. Ele é apenas um injustiçado incompreendido, cercado por microfones demais.
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