Escalada da guerra tarifária entre os Estados Unidos e o Canadá já começa a atingir compras do dia a dia e serviços de envio na fronteira entre os vizinhos da América do Norte. A preocupação central envolve o aumento de preços na região.
O que aconteceu
Despachante virou termômetro do conflito comercial. O Half-Way House Freight Forwarding opera em um prédio cujo endereço fica ao mesmo tempo em Fort Covington, no estado de Nova York, e em Dundee, na província de Quebec, com uma linha preta no chão marcando onde termina o Canadá e começam os EUA.
Serviço é usado por canadenses que compram produtos que só são entregues dentro dos EUA ou querem fugir de taxas de envio mais caras. O dono do local, Louis Patenaude, de 65 anos, diz que a operação recebe de peças antigas de carros a pacotes de varejistas e comércio online. Ele resume o movimento como "basicamente um comércio a pleno vapor", em declaração à CNN.
Tensão aumentou após o fracasso das negociações entre Washington e Ottawa no fim de agosto. Nas novas rodadas de tarifas e retaliações, o presidente Donald Trump impôs alíquota de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses e ameaçou elevar para 50% as tarifas sobre carros e autopeças do Canadá a partir de 1º de janeiro.
Governo canadense anunciou que vai dobrar para 50% as tarifas sobre aço e alumínio dos EUA. A medida começa a valer amanhã (8 de setembro) e amplia a lista de itens atingidos. "As novas tarifas dos EUA foram desenhadas para nos prejudicar e nos dividir", afirmou o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Na prática, o impacto tende a aparecer no caixa de empresas e no bolso de consumidores de ambos os países. A incerteza já virou rotina para quem depende do fluxo na fronteira. Patenaude diz que clientes perguntam quanto vão pagar a mais, mas que, com as regras mudando, ele próprio não consegue estimar e avalia: "Tudo o que está acontecendo é político, pelo que eu vejo".
Tarifas podem chegar ao consumidor
Mesmo quem usa o Half-Way House precisa declarar as encomendas em um posto de alfândega a cerca de 30 metros do prédio. É nesse ponto que novas tarifas podem pesar mais, especialmente em itens antes cobertos por acordos de livre comércio.
Economistas ouvidos pela CNN apontam que tarifas costumam ser repassadas em grande parte para preços finais. Joseph Steinberg, especialista em economia internacional da Universidade de Toronto, afirma que comunidades fronteiriças tendem a manter hábitos de compra apesar da retórica.
Estudo do Banco do Canadá sugere que o repasse pode ser rápido quando o mercado espera que a disputa dure. A pesquisa analisou as contratarifas de 25% impostas pelo Canadá em março de 2025 e encontrou alta de cerca de 6% nos preços dos itens atingidos em relação a produtos sem tarifa, com recuo após a retirada das medidas.
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